"Como posso colocar limites ao meu filho?"

Foto de Danielle Sandrini

"Meu filho de 4 anos não obedece. Quando quer que eu faça alguma coisa e não é atendido, ele grita, cospe, se joga no chão e as coisas também. Meu marido acha que é birra e ri quando isso acontece. Eu estou cansada, não sei o que fazer, porque isso acontece em vários lugares e eu me sinto cansada e envergonhada. Como posso lidar com essas situações?" - E.M., 31 anos.

Sra. E., essa é uma pergunta muito importante, a respeito de como lidar com limites. Desde cedo, nos primeiros anos de vida, é que se aprende a lidar com as limitações e as frustrações. Os limites são colocados pelos adultos, em geral os pais, que decidem o que é permitido ou não à criança, seja algo embaraçoso, perigoso, inacessível, inadequado, etc. Por exemplo, o bebê solicita, insistentemente, que a mãe ou pai fique com ele no colo o tempo todo. Muitas mães ficam extremamente exaustas por atenderem a essa demanda, permanecendo junto inclusive na hora de dormir.

Outro exemplo, a mãe de uma criança de 2 anos, relatou que não conseguia ir ao banheiro, pois o filho ficava gritando e batendo na porta para entrar. A mãe ficava adiando suas necessidades até que o filho adormecesse, para então realizá-las. Ela disse que não suportava escutar o filho chorando, portanto cedia às suas exigências, ela comentou “parece que ele vai passar mal de tanto chorar".

Essas situações ilustram momentos onde o limite é imprescindível ao bom convívio. No caso do bebê que dormia com os pais, seria importante que eles pudessem trabalhar suas dificuldades, pois o bebê é capaz de dormir sozinho. Aliás, é importante, pois os pais podem manter a vida sexual e a intimidade preservadas. O limite nesse caso é o fato da criança não poder estar presente quando os pais estão vivendo sua intimidade como casal. Outro fator é o sentimento de cansaço da mãe que representa sua necessidade de descansar, precisando, portanto, se ausentar.

Os pais precisam considerar os motivos de achar que o filho não suportará a separação, ou a idéia de que não podem frustrar seus pedidos. Cada um precisa se questionar sobre as próprias dificuldades. O segundo exemplo traz a reflexão sobre até que ponto se deve ceder às exigências de um filho. A criança pode e deve suportar as faltas dos pais, pois é impossível que se esteja presente o tempo todo. A mãe deve tomar cuidado para não achar que o filho não é capaz de suportar nada, nem mesmo à ida ao banheiro.

Quanto à pergunta da leitora, é importante dizer que quando a mãe e o pai se sentem envergonhados ou cansados diante da atitude de um filho, eles podem se manifestar. Quando a criança faz birra, ela deve ser impedida, os pais podem dizer isso a ela, que pare de fazer, que se levante, que não está autorizada a fazer escândalos. Não precisam atender os gritos, dando as coisas (doces, balas, brinquedo) no momento em que a criança pede, eles podem combinar que darão presentes em momentos especiais como o Natal, Aniversário, Dia das Crianças, deixando claro que não poderão lhe dar o que quer, toda vez que pedir, devendo esperar.

Quando existe a dificuldade dos pais em dizer que eles mesmos tem limites (não tem dinheiro, tempo, não podem, não querem, os “nãos”), a criança poderá ter dificuldades para perceber a existência de limites em si mesma. Mesmo que se exija do filho, é imprescindível que os pais reconheçam os próprios limites, suas dificuldades, trabalhando com as frustrações em não conseguir realizar muitas coisas. O limite de cada um deve ser conhecido e analisado, assim como se deve apresentar a criança seus limites, para que se aproprie deles.


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