No consultório, algumas queixas são comuns: como encontrar o par ideal? Encontrei a pessoa certa? Por que estou com esse parceiro? Apesar das facilidades em se conhecer um companheiro ou companheira, principalmente com o advento da internet e sites de relacionamento, parece que essas escolhas continuam difíceis. Homens e mulheres estão mais exigentes e também mais cautelosos.

Hoje em dia, tudo parece vir de maneira pronta e rápida, encontramos refeições preparadas de qualidade no supermercado, nos comunicamos com outros países via telefone, email instantaneamente como se estívessemos na mesma cidade. As coisas acontecem de imediato. Parece que as facilidades da vida moderna também estão influenciando os relacionamentos, as pessoas querem encontrar um parceiro pronto e perfeito, de preferência sem ter que investir muito no relacionamento, nas conversas, encontros, a pessoa deve saber o que quer, além disso estar dentro dos padrões esperados de idade, classe social, formação escolar. Se não der certo de cara, logo troca-se de parceiro à procura de outro ideal, parecendo que as pessoas também podem ser descartáveis..., como os produtos comprados facilmente.

A crença em um ideal romântico, de que existe uma pessoa perfeita para cada um, transforma a busca por um parceiro em algo muito idealizado, distante da realidade, como se fosse possível existir alguém que pudessse satisfazer todos os desejos e preencher todas as expectativas. Algumas mulheres também permanecem em uma postura passiva diante dos relacionamentos, esperando que o homem tome todas as iniciativas como procurar, telefonar, sem se colocarem em relação ao próprio desejo.

Em alguns casos, há uma tendência a fazer generalizações, (só tenho namorado que bebe, só encontro cafajestes ou saio apenas com mulheres descompromissadas), colocando os problemas sempre fora, no outro, na falta de sorte como uma proteção, para não se deparar com o que motivou a realizar essas escolhas.

Em outros casos, a dificuldade em encontrar o parceiro ocorre porque não é uma busca efetiva. Às vezes, não consegue nem admitir, mas sente um incômodo em ter que abrir mão de certas coisas, tem um apego demasiado pela independência, não consegue negociar, flexibilizar hábitos e possui uma grande dificuldade em estabelcer um vínculo de intimidade e envolvimento emocional. Diante dessas questões, a pessoa se esconde por trás de um escudo que a protege de enfrentar situações em que não quer abrir mão ou que não quer se deparar.

Algumas vezes, busca-se um parceiro com a função de receber apoio e proteção, visando aplacar angústias primitivas de perda, havendo uma expectativa que o outro supra todas as necessidades. O anseio por completude leva as pessoas a fazerem opções apenas para fugirem da solidão e do vazio que sentem. A escolha também pode ser baseada em si, características pessoais ou que gostaria de ter, por exemplo, uma pessoa tímida que se sente atraída por outra mais sociável.

Para a psicanálise, a escolha do parceiro amoroso sofre influências da história de vida do sujeito, das primeiras relações afetivas de amor estabelecidas como os pais, irmãos, tios e primos, e tem como elementos principais questões do inconsciente.

Inconscientemente, o homem é influenciado pela ligação inicial com sua mãe, a parceira escolhida pode ser similar à imagem que faz dela ou totalmente oposta, o mesmo acontece com a mulher, as impressões que conserva a respeito do pai, desempenham um papel importante em sua escolha. Geralmente em relacionamentos bem sucedidos, essas características inconscientes coincidem.

Esses aspectos inconscientes podem levar muitas vezes à repetição de parceiros com as mesmas características ou a repetição dos padrões familiares.

Existem outros fatores que também influenciam a preferência por um determinado parceiro como a personalidade de ambos, o ambiente, a reação do outro frente às necessidades e os interesses práticos. Ao se escolher uma pessoa, é importante avaliar as características, o caráter, o modo como se relaciona com pais, amigos, observar se possuem valores, interesses e objetivos de vida em comum. Em um relacionamento maduro, é essencial conseguir falar sobre o que sente e o que aborrece, manter um diálogo aberto, que permita lidar com os conflitos e fazer concessões.

Dificuldades na escolha do parceiro ou repetição dessas escolhas relacionam-se a questões individuais. Fazer uma análise pode ajudar a desvendá-las.


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