Se viver junto com pessoas da mesma família é delicado, quanto mais com pessoas diferentes sem laços de parentesco ou de amizade, como no caso dos vizinhos.
Quando se mora em condomínios, de casas ou de apartamentos, a convivência com os vizinhos é ainda mais estreita devido às áreas comuns. Dessa convivência surgem inúmeros problemas relacionados ao uso de vagas de estacionamento, da piscina, limpeza, vazamentos...
Com certa freqüência, problemas rotineiros se transformam em conflitos que devido a sua intensidade podem até requerer a intermediação de terceiros para ajudar na resolução.
Mas por que tantos conflitos?
Um dos aspectos é a confusão que se faz ao diferenciar o uso do espaço público e do privado. A delimitação desse espaço é sempre bem complicada. As áreas comuns pertencem ao domínio público e há leis ou estatutos do condomínio, que preferencialmente são criadas em conjunto pelos moradores por meio de assembléias, o que facilita a participação de todos e levam a um acordo comum. Geralmente as pessoas confundem o fato de pagarem o condomínio com o direito de usufruir livremente das áreas comuns, esquecendo-se que existem regras para esse uso. Os espaços comuns devem ser compartilhados, levando-se em conta as regras ditadas pelo desejo da maioria, mesmo que não estejam de acordo com os princípios individuais.
Além disso, ainda que se esteja em um ambiente privado, é importante lembrar os aspectos que possam interferir no bem-estar dos outros, como ouvir música alta, fazer barulho em horas impróprias ou usar de maneira inadequada janelas ou sacadas.
O fato de algumas pessoas não conseguirem se adaptar a regras sociais prejudica a vida em comunidade, pois elas custam a abdicar de seus propósitos em favor dos objetivos do grupo.
Contudo, para haver convivência é essencial que haja tolerância e aceitação das diferenças. As pessoas têm diferentes hábitos, costumes, estilo de vida, pensamentos e conceitos sobre moradia, relacionamentos, que precisam ser levados em consideração. Sem a aceitação das diferenças individuais e a tolerância, qualquer convivência pode se tornar insustentável.
O homem vive em sociedade há muito tempo, faz parte de sua essência viver em grupo, mas ainda tem dificuldade em respeitar o outro e compartilhar espaços. A realidade dos condomínios é um reflexo das relações da sociedade como um todo, como por exemplo, no trânsito, no trabalho, no uso dos lugares públicos.
Para que a convivência seja satisfatória, é necessário que se abra mão, em certos momentos, de desejos individuais em prol do coletivo, é saber dividir espaços, pois a liberdade de um termina onde começa a do outro. E é importante também saber conviver com o diferente.
Outro aspecto importante é o fato de que, hoje em dia, as pessoas apenas dividem espaços, mas não se conhecem. A vida moderna com sua pressa, ênfase no individualismo, leva a um afastamento. É muito comum vizinhos não saberem o nome um do outro! Essa distância dificulta bastante o convívio. Como pode dar certo? Onde estão a cortesia e a solidariedade?
Com isso, a vida em comunidade fica marcada apenas por seus aspectos negativos, regras ou incômodos com os vizinhos, faltando seu aspecto positivo, as conversas, o apoio, as caronas, a atenção de quem às vezes está mais perto, do nosso lado...
Se existe uma relação de amizade ou de cordialidade, o diálogo entre as pessoas se torna mais fácil quando surge um conflito.
O condomínio também pode estimular as relações interpessoais, promovendo festas e eventos que permitam a integração e organizando aulas de ginástica e dança. Assim o ambiente comum pode ser compartilhado de maneira mais lúdica.
Conviver pode ser difícil, mas com compreensão e respeito podemos tornar a vida em grupo agradável e amistosa. Vale a pena tentar!
*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

veja a localização