Se escutarmos atentamente às conversas das adolescentes, notaremos que o tema do ficar é um assunto fervoroso. Quem já ficou? Quem nunca beijou? Quem fica com vários?
Se durante a primeira infância os laços de parentesco eram os mais relevantes, na adolescência outras formas de laço social surgirão. Se as figuras parentais recebiam grande parte do endereçamento de demandas, com a vacilação e o questionamento daquilo que foi adquirido na infância faz-se necessário que o adolescente busque nos grupos sociais outras formas de respostas às perguntas que formulam.
O grupo de amigos passa então a ganhar um forte investimento afetivo e libidinal. Fazem verdadeiros pactos de fidelidade e amor incondicional. A turma de amigos passa a ser tudo de bom! Horas a fio no telefone, dramas vividos de forma intensa, sensação de traição e tristeza quando as amigas não entendem ou não respeitam o pacto (muitas vezes velado) de amor incondicional.
Com a chegada da puberdade, o corpo denuncia que já há possibilidade de um encontro sexual e isso só é possível fora da família de origem. A possibilidade do encontro sexual gera angustia e temor, daí a urgência em debater e falar sobre este tema. O ficar marca então este primeiro ensaio da entrada dos adolescentes no mundo das relações sexuais. O adolescente passa a experimentar e a se questionar a respeito do que é ser homem e ser mulher. É ficando que, muitas vezes, se adia o temido e desejado encontro que se anuncia: a hora da relação sexual.
Além disso, é neste ensaio que também se embute a pergunta que os jovens carregarão por toda a vida: O que desejo? Pergunta que é sempre portadora de um enigma...
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