"Abuso sexual de crianças"


Tem surgido algumas perguntas sobre abuso sexual infantil. Por mais difícil que seja falar desse tema tão tabu, considero importante abordá-lo, pois muitas pessoas ficam em silêncio diante dessa situação tão constrangedora. Algumas pessoas têm escrito perguntando se há como saber quando um filho ou uma filha está sendo abusado sexualmente. Acredito que quando surge esta pergunta, pode haver alguma desconfiança. Dos casos que acompanhei com esta problemática, há o relato de mudanças bruscas no comportamento, principalmente com relação à sexualidade. Algumas crianças começam a ter um intenso interesse de cunho sexual, passam a se masturbar excessivamente, dramatizam pessoas tendo relações sexuais, querem ver pessoas nuas, etc.

No entanto, a natureza sexual nem sempre fica explícita. Há crianças que ficam deprimidas, amedrontadas, envergonhadas, o desempenho escolar cai, começam a fugir de casa, não querem ficar em companhia do agressor, etc. Principalmente se a violência está acontecendo dentro de casa. A criança, devido a seu sofrimento, passa a ter dificuldades de lidar com coisas simples de sua vida, às vezes não quer ficar sozinha, dormir, comer, tomar banho, etc.

Em casos extremos de violência, existe a ameaça com relação a vida. A criança que está sendo abusada não fala desse assunto, pois é comum que o agressor lhe diga que caso conte a alguém, ela poderá ser punida e até mesmo morta. Nesses casos, a criança perde o interesse pelas coisas e se submete à violência por medo de ser agredida e também por temer que alguém importante seja ameaçado. O agressor também diz que caso conte, ele poderá ser preso ou morto.

Essa dinâmica ameaçadora deixa inúmeras conseqüências para a criança, portanto, quando há a suspeita, os responsáveis devem ficar atentos aos sinais apresentados pela criança. É importante ressaltar que a violência tem ocorrido tanto com meninos, como com meninas, sendo que a maioria dos agressores tem uma relação afetiva bastante próxima.

A possibilidade da criança confiar em alguém e falar sobre seus medos é importante. Nesse caso, é recomendável o pedido de ajuda, a criança pode ter muita dificuldade de falar a respeito disso com seus pais, principalmente se o agressor for um dos cônjuges ou parentes.

Os tipos de auxílio são diversos, seja no âmbito jurídico, social e emocional. O importante é que, caso seja descoberto o abuso, a criança tenha a oportunidade de elaborar suas vivências.


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