Existem crianças que freqüentemente se machucam. Os pais costumam atribuir isso ao fato do filho ser agitado, de não parar quieto. No entanto, isto não parece dar conta de explicar este fenômeno, já que nem toda criança agitada se envolve em acidentes.
Essas crianças, muitas vezes, se machucam quando estão brincando. Os machucados podem ser de graus variados, de leves a graves. É comum serem levadas a hospitais diversas vezes ao ano, ou por fraturas ou por cortes profundos que precisam de pontos. Os pais costumam se assustar constantemente e se sentem num estado de apreensão e tensão, pois temem que novamente aconteça algo a seu filho.
Quando estamos diante de uma criança com este tipo de comportamento devemos perguntar o que pode estar por trás disso, já que acidentes repetitivos apontam para questões emocionais importantes.
Diversas podem ser as causas que levam a uma criança a se envolver constantemente em acidentes. A falta de percepção com relação aos próprios limites pode ser uma delas. Assim, crianças que se acham onipotentes ou que precisam se auto-afirmar perante os colegas podem se envolver em brincadeiras arriscadas para mostrar o quanto são fortes e poderosas.
Crianças deprimidas também podem ter este tipo de conduta. Ao contrário do adulto, a depressão na infância pode aparecer sob a forma de agitação motora. A criança por ainda não ter fluência verbal e maturidade emocional, nem sempre consegue dizer de seus sentimentos conversando ou chorando e, por isso, pode expressá-los através de comportamentos diversos.
A associação entre a “presença dos pais e doença”, a necessidade de chamar a atenção e a presença de conflitos familiares também estão entre os fatores comuns que sustentam o comportamento de se acidentar com freqüência.
Este comportamento é, na maioria das vezes, inconsciente, ou seja, a criança o faz sem ter controle, sem se dar conta do que a leva a agir desta maneira.
É importante dizer que não estamos falando de eventuais acidentes que podem acontecer na infância como pequenos tombos e machucados. Isso faz parte da vida e não há como evitar que a criança, esporadicamente, se acidente. O que estamos chamando a atenção neste texto é para situações em que isso acontece em excesso.
Todo excesso sinaliza para algo que precisa ser escutado e trabalhado. Aqui, mais do que nunca, faz-se verdade o ditado popular: “Nada em excesso é bom”.
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