Quando o assunto é adoção, muitos pais ficam com muitas dúvidas de como conversar com seus filhos. Devo contar que foi adotado? Seria melhor guardar segredo? Com que idade contar? Em que momento? Devo esperar surgir o assunto? Como contar?

Muitos pais temem falar sobre a adoção com a criança pois se sentem inseguros, com medo que ela os rejeite ou os desvalorize como pais adotivos e queiram procurar os genitores, os “verdadeiros”. Outro sentimento comum é o de querer poupar a criança de sua história de abandono, temendo que ela fique triste ou revoltada.

Em alguns casos, um dos pais decide contar e o outro não, então se passam vários anos nesse conflito, o que só prolonga o sofrimento.

A criança que vive em um ambiente onde paira um segredo familiar percebe o clima de mistério que envolve alguns assuntos, da qual não se fala abertamente, gerando tensão nos pais. Ela percebe inconscientemente que existem informações de que ela não pode ter acesso, o que pode levar a um bloqueio na aprendizagem, um baixo rendimento escolar, inibições ou problemas emocionais mais graves.

A criança tem direito de conhecer a sua história e o seu passado. A revolta e a tristeza em relação aos pais adotivos ocorrem quando ela não “sabe” a verdade ou quando a revelação foi tardia, como na adolescência por exemplo. O sentimento de ter sido traído ou excluído pelos pais pode ser muito mais intenso do que a adoção em si.

Mas quando começar a contar? As conversas devem começar desde cedo quando surgem as primeiras observações da criança a respeito da sexualidade e do nascimento, para que o assunto seja natural à criança, faça parte da vida dela. Por exemplo: “Mãe, tem nenê na barriga da tia Clara?” Pode-se acrescentar à resposta que algumas crianças nascem da barriga de uma mulher que não vai ser a mãe. Geralmente, esses assuntos surgem de maneira inesperada no dia-a-dia, não existe momento certo, por isso é importante manter um espaço aberto de diálogo e observar as reações e expressões da criança diante do tema.

As conversas sobre a adoção, assim como em relação a sexualidade, se estendem ao longo da vida e as respostas diferem de complexidade de acordo com a idade e o nível de compreensão da criança.

O mais importante é ficar a vontade para conversar e sentir confiança no amor e no vínculo estabelecidos com o filho. Passar para a criança que ela foi escolhida e é amada e que é possível ser filho mesmo não tendo nascido da barriga da mãe.

Geralmente as crianças querem saber sobre os seus genitores e os motivos que levaram estes a não ficar com ela. Talvez essa parte seja a mais delicada para os pais conversarem com a criança, ajuda-la a entender que os genitores não puderam cuidar dela por algum motivo que não conhecem, mas que os pais que a adotaram, gostam muito dela e querem cuidar dela. Existem pessoas que podem gerar a vida, mas não podem cuidar e outras não podem gerar, entretanto, têm disponibilidade para acolher e amar uma criança.

A adoção é um fato importante tanto para a família quanto para a criança, devendo ser compartilhado e tratado com atenção. É importante que os pais se preparem e que diante de uma situação difícil de diálogo, estejam abertos para conversar e tirar dúvidas com um psicólogo ou um analista que ajudará a encontrar a melhor maneira de conversar e lidar com a situação.


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