localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
A adoção de uma criança é uma questão muito delicada, que merece bastante atenção. Quando realizada de forma madura, refletida e analisada, costuma trazer muita alegria para as famílias. Inúmeros pais adotivos relatam sentir-se realizados em suas funções maternas e paternas e seus filhos apresentam um desenvolvimento saudável. Nesses casos não observamos diferenças significativas no laço afetivo entre pais e filhos adotados com relação às crianças criadas por suas famílias biológicas, ficando evidente a importância da convivência, dos cuidados, do ambiente familiar e da educação no estabelecimento de um vínculo emocional.
No entanto, é freqüente encontrarmos na clínica crianças adotadas que acabam apresentando sintomas psíquicos importantes que parecem ligados às questões inconscientes dos pais, a conflitos que não foram resolvidos antes da adoção. Muitas vezes, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, os sintomas destas crianças pouco tem a ver com a genética ou com o que elas passaram no ventre materno.
Não estamos desconsiderando a importância de fatores hereditários e da influência no feto de uma gestação não desejada, pouco cuidada e turbulenta. Mas o fato é que a criança quando nasce ainda não tem uma personalidade formada, um psiquismo desenvolvido. A estrutura da personalidade irá se formar conforme ela cresce, sendo extremamente influenciada pelo ambiente e pelas relações afetivas estabelecidas após seu nascimento.
A seguir salientamos alguns aspectos importantes para serem cuidados antes de se realizar uma adoção.
Uma das primeiras coisas a se fazer é poder refletir a respeito do que está motivando a tomar esta atitude. Inúmeros são os motivos, conscientes e inconscientes, que envolvem uma adoção.
Alguns casais resolvem partir para a adoção após inúmeras tentativas fracassadas de engravidar ou quando recebem o diagnóstico de infertilidade de um dos parceiros. Nesses casos é importante que o casal passe antes por um processo de luto do sonho de gerar seu próprio filho, de forma que a infertilidade não seja uma ferida narcísica que nunca se cicatriza e que criança adotiva não se veja, inconscientemente, na obrigação de resolver completamente esta dor. Passar por um momento de revolta, se sentir inferior a outros casais são sentimentos naturais que, aos poucos, precisam ser elaborados. Quando existem dificuldades com relação a este processo de luto, é importante que o casal, ou um dos parceiros, procure ajuda de um psicólogo.
A adoção também pode ser motivada pelo crescimento dos filhos biológicos, que, muitas vezes, passam a ficar mais distantes fisicamente. O casal, diante do sentimento de vazio, decide adotar uma criança para não se sentir só, para poder voltar a se sentir útil, para ter alguém para cuidar. Este pode ser um motivo legítimo para uma adoção, mas é importante que os pais possam saber que a adoção não resolve todas as angústias e questionamentos com relação à vida, já que existem questões que ultrapassam o sentimento de ser pai e/ou mãe (como, por exemplo, as relativas à sexualidade de cada um). Vale a pena o casal refletir sobre como anda sua relação e ideais de vida.
Ideais sociais também costumam estar entre os motivadores de uma adoção. Existem pessoas que, tendo ou não filhos biológicos, decidem adotar porque pensam em fazer um bem para a sociedade e para uma criança carente. Este motivo é importante, mas não deve ser o único, pois a adoção precisa ser motivada por outras questões, que devem envolver a história do casal e individual de cada parceiro.
Cabe dizer que embora a adoção possa trazer peculiaridades a uma história, é preciso ficar atento para não patologizar comportamentos que são normais. As manifestações de agressividade, por exemplo, são comuns em todas as crianças e é normal e saudável que possam existir conflitos entre pais e filhos. Estes comportamentos não devem ser interpretados como “ingratidão” da criança. É importante ficar atento para que não se desenvolva, inconscientemente, uma auto-exigência muito grande, tanto do lado da criança como dos pais, em que ambos acreditam que precisam ser perfeitos para que o amor esteja garantido.