"Afinal, o que é hiperatividade?"




Atualmente muito se têm falado sobre hiperatividade, entretanto, o conhecimento que temos a respeito disso ainda é restrito e há muitas controvérsias com relação ao diagnóstico e tratamento. Num extremo, temos a hiperatividade tratada como uma doença de causa orgânica e de outro lado, encontramos a concepção de que a origem está na educação, na "incompetência" dos pais ao colocarem limites aos filhos.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é descrito pela Medicina como uma doença que se caracteriza por sinais de desatenção, inquietude e impulsividade, que podem ser brandos ou graves e podem incluir problemas de linguagem, memória e habilidades motoras.

Como conseqüência destes sintomas, muitas dessas crianças apresentam dificuldades escolares, já que permanecem muito desatentas durante as aulas, não conseguindo parar quietas. A agitação motora é presente em todos os ambientes, a criança tem muita dificuldade em concentrar-se (até mesmo para assistir a um programa de televisão) e movimenta-se o tempo todo, fazendo várias coisas ao mesmo tempo (muda de brincadeiras rapidamente, por exemplo).

Constata-se que muitas crianças têm sido diagnósticadas erroneamente como apresentando TDAH, o que acaba trazendo sérias conseqüências já que, na maioria dos casos, o tratamento fica centrado na remissão dos sintomas por meio de terapia medicamentosa, sem que a causa seja tratada.

É importante não generalizar, mas sim diagnosticar cada caso em sua singularidade. Uma agitação e falta de atenção, embora possam assemelhar-se muito à descrição de TDAH, nem sempre correspondem a este diagnóstico. Tais alterações de comportamento podem ter suas raízes em diversos fatores, tais como: depressão, angústia, fantasias conflituosas, características pessoais, dificuldades na dinâmica familiar.

Uma criança, por exemplo, por não conseguir expressar verbalmente seus conflitos e angústias, pode expressá-los através de um comportamento agitado ou na dificuldade em concentrar-se. A alteração de comportamento, assim, aparece numa tentativa de pedir ajuda, é um jeito da criança "dizer" que está sofrendo e que precisa ser escutada.

Cabe salientar que sintomas semelhantes podem estar presentes em diferentes diagnósticos, apresentando múltiplas causas. É por este motivo que o diagnóstico não deve ser realizado apenas a partir da sintomatologia e precisa ser efetuado por profissionais da área, de modo que o melhor tratamento seja encontrado.

Em nossa experiência clínica notamos que muitas crianças melhoram dos sintomas descritos acima com um trabalho de análise, quando conflitos psíquicos e questões da dinâmica familiar são trabalhados. Muitas vezes, o tratamento medicamentoso pode se evitado, o que achamos bastante importante, já que os remédios nem sempre são inofensivos e não tratam a origem do sintoma.


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