A AIDS é uma doença causada pela infecção do vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) no organismo. A transmissão ocorre, principalmente, por meio de relação sexual sem preservativo com um parceiro infectado, pela transfusão de sangue contaminado, uso de seringas ou outros materiais cortantes infectados e, também, no parto e na amamentação quando a mãe é portadora do HIV.

O vírus destrói os linfócitos que são as células responsáveis pela defesa do organismo e, por este motivo, quando o HIV se manifesta no organismo este se torna incapaz de se proteger adequadamente frente aos diversos agentes oportunistas (tais como vírus, bactérias, fungos, protozoários).

Para se diagnosticar a presença de HIV é preciso fazer um teste sanguíneo, sendo que o mais utilizado é o Elisa. Frente a um resultado positivo, é preciso sempre repetir o teste para confirmar o diagnóstico. Além disso, deve-se prestar atenção no período da “janela imunológica”, em que a pessoa pode estar infectada, mas os exames ainda não conseguem detectar os anticorpos.

Desde 1981 a Aids vem se espalhando pelo mundo de forma rápida. Inicialmente, atingia mais os indivíduos que pertenciam aos chamados grupos de risco. Esses grupos eram constituídos, principalmente, pelos homossexuais, pelos hemofílicos, pelos usuários de drogas injetáveis e por pessoas com uma vida sexual promíscua.

Atualmente, no entanto, não se fala mais em grupos de risco, já que a AIDS tem atingido todos os tipos de pessoas tais como as crianças, os casais heterossexuais e as mulheres casadas.

Até os anos 90, as pessoas portadoras de HIV sobreviviam por pouco tempo e por isso, o diagnóstico era associado imediatamente à morte. Contudo, hoje em dia, apesar de não ter cura, a AIDS é considerada uma doença crônica, já que existe uma série de medicamentos que mantém a carga viral baixa no sangue, controlando a doença por muitos anos, permitindo que a pessoa viva com uma boa qualidade de vida e, em grande parte dos casos, sem apresentar sintomas.

Apesar das mudanças que ocorreram ao longo da história, ainda prevalece um grande preconceito com relação ao diagnóstico. O portador do HIV, freqüentemente, é visto como alguém “imoral e depravado”. O medo e a fantasia de contaminação são fortes e, muita gente, acaba se afastando da pessoa com medo de que ela lhe transmita a doença (mesmo que saiba que não se pega no contato social como conversando e se abraçando).

Embora a AIDS seja uma doença que pode ser controlada e tratada, receber o diagnóstico de que se tem o HIV não é nada fácil. Cada pessoa reage de um jeito. A fantasia de que se irá morrer em pouco tempo é bem comum, intensa e extremamente angustiante. Muitas pessoas sentem-se sem chão, deprimidas, sem vontade de continuar a viver e escondem o resultado com medo de sofrer preconceitos. A raiva do provável contaminador surge com freqüência. O medo de ter contaminado outras pessoas também aparece com intensidade e junto dele, um forte sentimento de culpa e receio de dizer para o companheiro, filhos, ex-parceiros e conhecidos.

No geral, é preciso um tempo de alguns meses para que se possa elaborar a situação, se acalmar e perceber que há remédios que podem ajudar a controlar a manifestação da AIDS.

Ter o HIV leva a uma profunda mudança de vida. A pessoa passa a ter que tomar remédios diariamente, tem sua vida sexual afetada (medo de contaminar o outro, receio de não conseguir um companheiro), se questiona a respeito de sua existência, revê seus valores e atitudes. Casais que não tiveram filhos se questionam se devem ter ou não, já que há sempre o risco da criança ser portadora do HIV (não se pode esquecer que, apesar das dificuldades, muitas pessoas conseguem viver bem, se relacionar amorosamente, trabalhar, ter filhos).

Uma análise pode ajudar muito alguém que é portador do HIV, permitindo um espaço para elaborar o diagnóstico, refletir a respeito do sentido da própria existência, falar dos temores, das dificuldades e dos desejos.

O tratamento analítico também pode ser recomendado para pessoas que sempre se colocam em situação de risco - apesar de saberem a respeito dos meios de transmissão do vírus. Tais indivíduos precisam se questionar sobre o porquê de se exporem tanto. Por trás de comportamentos de risco podem existir sérias questões emocionais que levam a pessoa a se colocar como objeto nas relações, não conseguindo se cuidar e se preservar.

Merece atenção também pessoas que, mesmo não estando contaminadas e que não se expuseram a comportamentos de risco, insistem em fazer o teste inúmeras vezes. Por trás do medo obsessivo de estar contaminado podem existir importantes conflitos psíquicos.


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