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"Amigo imaginário"

Qua, 07/05/2008 - 11:02


O universo infantil é repleto de fantasias e é justamente esta capacidade de simbolização que permite à criança poder brincar de “faz de conta”.

Alguns pais costumam se preocupar quando observam que seus filhos têm amigos imaginários. Frente à convicção com que a criança interage com o amigo imaginário, surgem dúvidas a respeito da adequação ou não deste comportamento: é só uma brincadeira? A criança está vendo de fato seu amigo?

A presença de amigos imaginários até seis anos de idade é extremamente normal e saudável, indicando uma grande capacidade simbólica da criança. O amigo imaginário pode ser invisível, criado a partir de algum objeto ou brinquedo (um ursinho de pelúcia, por exemplo), ser apenas um ou vários.

A criança costuma compartilhar suas atividades diárias com “seu amigo”, conversando, brincando e até mesmo, brigando. Algumas crianças pedem, por exemplo, para que seus pais coloquem um prato para seu amigo almoçar, arrumam a mochila para ele ir à escola...

Como qualquer brincadeira, o amigo imaginário ajuda a criança a lidar com seus desejos, medos e angústias. A criança pode reviver cenas que foram difíceis e, na fantasia, modificá-las. Um garoto, por exemplo, que levou uma bronca do pai, pode brigar com seu amigo imaginário da mesma forma que seu pai o fez ou, ao contrário, pode deixar seu amigo fazer o que seu pai proibiu. Neste jogo, diferente do que aconteceu, sai de um lugar passivo de quem sofreu e passa a ocupar um lugar ativo, podendo controlar a situação.

A expressão dos desejos também é bem comum. Uma criança que é filha única, mas que deseja ter irmãos pode ter, em sua fantasia, vários irmãos imaginários, com quem terá que dividir a atenção dos pais, seus brinquedos...

É importante que os pais, toda vez que presenciarem o filho interagindo com seu “amigo imaginário”, ajam de forma natural e tranqüila, respeitando a fantasia da criança, sem recriminá-la ou ironizá-la. Cabe ressaltar que respeitar a brincadeira da criança não quer dizer fingir que se vê o amigo imaginário, a criança deve saber que é um jogo de faz de conta. Quando pais fingem enxergar o amigo confundem a criança, atrapalhando-a na distinção entre realidade e fantasia, além de estimular excessivamente este comportamento.

O esperado é que conforme a criança cresça, precise cada vez menos de seu amigo imaginário, já que passa a se expressar melhor verbalmente. Quando a criança a cima de 6 ou 7 anos ainda necessita de um amigo imaginário, deve-se ficar atento para dificuldades emocionais.

O amigo imaginário pode surgir como uma forma da criança chamar a atenção, uma maneira de expressar sua solidão e angústia diante de momentos de perda de alguém importante como a morte de um parente querido ou a saída do melhor amigo da escola.

Um outro aspecto que deve chamar a atenção é quando a criança se comunica quase que exclusivamente com seu amigo imaginário, se isolando e apresentando dificuldades para interagir com outras crianças.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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