A angústia é algo que não engana. É um fenômeno largamente explorado e abordado por filósofos, psicanalistas e artistas.
São várias suas manifestações a muitos atribuem à angustia a possibilidade de aludir a algo que é irrepresentável e que é parte do humano. Sua incidência se faz ver através de manifestações corporais, expressa das mais variadas formas.
A angustia pode surgir em vários momentos da vida e é devido a ela que se procura uma analise ou psicoterapia. No entanto, é freqüente que surja a angústia quando há queda das identificações, quando aquilo que ancorava o sujeito perde sua eficácia. Um exemplo relevante é quando, por exemplo, as pessoas se aposentam. As atribuições que ancoravam e sustentavam perdem o sentido. Uma pessoa dizia: “sempre fui trabalhador, as pessoas me reconheciam desta forma, sempre diziam isso de mim e agora, já não sei mais quem sou, ser trabalhador sempre me manteve ativo, trabalhando e agora nada mais me move”. Tais atribuições que faziam o complemento da existência, isto é, aquilo que dava um sentido á existência ficam soltos e assim a pessoa padece de angustia.
É impossível classificar situações que podem ser geradoras de angustia já que uma palavra ou situação que para alguns podem ser devastadora para outros não o é. Por exemplo, para um adolescente ter que prestar vestibular pode trazer alguma ansiedade (que é diferente da angústia) e para outro pode ser extremamente angustiante.
A angustia surge quando a falta, motor da capacidade desejante, não aparece. Para nos mantermos na vida, desejando, buscando coisas de nosso interesse, é necessário que a falta exista. Nunca estamos completamente satisfeitos e se estivéssemos nada nos moveria a procurar, a buscar. Na angustia, a falta não aparece, não há o que movimente para a busca. Esta nuance é pouco explorada. Temos a idéia de que a angustia surge quando não alcançamos determinada condição ou objeto, e raramente pensamos que a condição para que busquemos aquilo que desejamos é justamente a falta.
Muitas vezes as manifestações de angustia são entendidas como um estado de ansiedade generalizado e que deve ser tratada única e exclusivamente através de medicamentos.
A falta também está presente na dimensão da fala. Por isso falamos tanto. Precisamos dar conta do irrepresentável e a palavra é a melhor maneira de nos aproximarmos daquilo que sempre insiste e que não pode ser dito. Com isso não quero dizer que a única maneira de se tratar da angustia é a palavra, muitas vezes é necessário que haja outras intervenções. Mas não podemos deixar de lembrar de algo que é a própria condição do humano: ser falante que é falado pela palavra e que dela faz uso para significar o mundo.
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