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No fim do ano é feito um balanço dos encontros que deixamos de ir, dos telefonemas que não fizemos, de palavras não-ditas, do abraço que não foi dado, ou seja, vem à tona nossa falta. Nos perguntamos: qual o espaço que demos às pessoas queridas? Qual a nossa dedicação ao que é importante? São perguntas que se intensificam quando refletimos a respeito do que aconteceu durante o ano.
Em seguida nos ocupamos planejando o que queremos para o ano que está por vir. Planos são elaborados, “nos prometemos” muitas coisas como ganhar mais dinheiro, procurar um novo relacionamento, mudar de trabalho, crescer na carreira, acordar cedo, fazer ginástica e assim por diante.
Metas nem sempre possíveis de serem alcançadas, pois, freqüentemente, são idealizadas. As pessoas querem fazer tudo ao mesmo tempo, como se fosse possível resolver todas as dificuldades da vida num “passe de mágica”. No entanto, a realidade nos exige priorizar algumas coisas e para isso, é preciso realizar escolhas. E aí vem a grande dificuldade: diante de tantas coisas importantes, o que deve ser escolhido? Como saber o que realmente desejamos?
O desejo nem sempre é fácil de ser identificado, pois se faz muitas coisas que correspondem mais ao desejo dos “outros” que ao próprio, na tentativa incessante de agradar o outro e ser amado. Assim, o desejo fica de lado, é adiado e até mesmo abandonado. E em momentos de crise vem as perguntas: “Vou viajar para aquele lugar por que quero ou por que ele quer?”, “Escolhi esta profissão por que meu pai gosta ou de fato quero fazer isso?”, “Estou satisfeita com o que tenho ou quero mais só por que alguém vai me julgar?”.
Diante de tantas exigências do social fica difícil reconhecer qual é o legítimo desejo. Cabe refletir para quem são os planos para o ano novo...