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Ter, 27/05/2008 - 12:48


A aposentadoria é para muitas pessoas um momento de crise, pois muitos conflitos ficam em evidência: o aspecto profissional, o envelhecimento, mudança na relação com os filhos e cônjuges e a vida social. O social baliza de modo normativo um limite, que diz o momento de parar de trabalhar porque se chegou a uma determinada idade ou tempo de trabalho. No entanto, esse momento nem sempre corresponde ao desejo dos indivíduos. Muitos consideram que a aposentadoria veio cedo demais, pois começaram a trabalhar precocemente e ainda querem continuar fazendo o que gostam.

Sabe-se que o aspecto profissional ocupa um grande espaço na vida da maioria, exerce uma função importante, atribui um nome ao lugar onde a pessoa se situa em muitas relações. Desse modo, a identidade profissional marca a subjetividade, na medida em que as pessoas se descrevem dizendo: sou engenheiro, médico, professor, cozinheiro, segurança, etc. Proporciona organização do tempo, dos relacionamentos sociais e é onde existe a possibilidade de se expressar a habilidade e a criatividade.

Então, aquilo de que o sujeito se ocupou a vida inteira deixa de estar presente como a rotina, a relação com os colegas de trabalho, as atividades. Sobra tempo ... e mesmo as queixas de antes não encontram mais lugar, pois aqueles de quem se reclamava não se encontram mais com tanta freqüência. Para alguns sujeitos a aposentadoria pode trazer o sentimento de deslocamento, já que pertencer a algum espaço, da firma, da empresa, da organização, ou seja, o espaço de trabalho foi perdido.

Quando tudo isso desaparece surge a pergunta: o que fazer agora que tenho tanto tempo? É um repouso merecido? Desejado?

Pode haver muita euforia para os batalhadores ansiosos em alcançar a tão idealizada situação de não ter obrigações. Mas nota-se uma grande freqüência de quadros depressivos nesta fase, quer estejam ligados ao processo de envelhecimento, a falta de ocupação, ao rompimento de relações de trabalho ou às mudanças de vida. O corpo não é o mesmo, o ritmo se modifica, a atividade diminui, assim muitos estímulos, os quais se estava acostumado, desaparecem. A pessoa pode ficar extremamente ligada as perdas provocadas por esta situação.

Mas será só de perdas que a aposentadoria se constitui?

Alguns aposentados podem se sentir “livres” de um trabalho cansativo e podem tentar buscar outra atividade. Podem curtir a companhia daqueles com quem não puderam ter contato. É importante não aposentar a vida e refletir qual o direcionamento que se quer dar a esta nova fase. E por que não “trabalhar” com algumas pendências como coisas que se gostaria de fazer?


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