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"Brigas repetitivas"
Sei que sou uma pessoa briguenta, e várias vezes tento me controlar. Só que de repente, sem eu perceber já estou brigando de novo. O que é isso? (M. 30 anos)
Desde sua origem e conforme os avanços teóricos que a própria teoria convocava a elaborar a psicanálise subverte o pensamento corrente revelando que o homem não é senhor de sua própria casa. O que isso quer dizer?
De modo bem geral, é através do postulado e da construção teórica do inconsciente que começamos a entender que existem forças desconhecidas dentro de nós. Existem saberes que também não acessamos diretamente. Através dos lapsos de fala e escrita e de nossos sonhos (formações do inconsciente) entramos em contato com algo que nos parece, a princípio, estranho e ao mesmo tempo familiar. O tempo todo se percebe que há algo que nos escapa, que não controlamos.
Há algo que insiste e que retorna no comportamento dos humanos e, muitas vezes, não conseguimos atribuir um sentido para tais ações. Para a Psicanálise, o comportamento que insiste, que se repete, pede elaboração, elaboração que muitas vezes só pode ocorrer na presença de um psicanalista, que escuta a repetição e através do trabalho de análise favorece que o analisando encontre sua necessidade particular de repetir tal comportamento. Este processo pode ser longo, e coloca a necessidade do analisando de se implicar e de se perguntar acerca de suas ações.
Atualmente, parece haver uma tendência a não suportar o não sabido, a acharmos que há uma resposta imediata a todos os comportamentos humanos. Com a intensa medicalização do psiquismo e do sofrimento humano, enveredar-se por um caminho árduo e longo parece ser perda de tempo e um esforço desnecessário, já que uma medicação ou um redirecionamento comportamental pode trazer a ilusão de ser mais rápido.
No entanto a psicanálise pode oferecer algo que se situa mais além dos efeitos terapêuticos que são intrínsecos a este processo. Ela também pode oferecer uma longa travessia naquilo que é mais intímo e mais estranho em nós mesmos.Travessia que é sempre única e singular, que não permite que seja generalizável. Generalização do humano e de seus comportamentos que parece ser, em nossa atualidade, a marca de nossos tempos.
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