Por Patricia Yumi Nakagawa

Em levantamento realizado em 2002 pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência), envolvendo 5875 estudantes de 5a. a 8a. séries, de escolas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores de bullying. Em pesquisa realizada na Grã Bretanha, foi registrado que 37% dos alunos do primeiro grau e 10% do segundo grau admitem ter sofrido bullying, pelo menos, uma vez por semana. Ou seja, trata-se de um fenômeno bastante freqüente.

Compreende-se como bullying comportamentos e atos de violência física ou psicológica, dirigidos a outro sujeito pelos pares ou por um grupo. A vítima é considerada como indefesa e o que se busca é a sua submissão. Existe uma relação de poder, seja pelo uso da força física ou pela perseguição, levando a pessoa ao afastamento e isolamento sociais. O que difere o bullying das brigas eventuais é a repetição dos atos no mesmo indivíduo. Há uma persistência e a pessoa focada sente-se incapaz de evitar, pois não encontra forças para reagir e resistir às pressões do agressor, ficando numa posição bastante fragilizada. Esse temor nem sempre é imaginário, as crianças, por exemplo, comentam que se não derem seu lanche o “bullie” (responsável pelo ato violento) poderá agredi-la ou humilhá-la. Para evitar essa situação a vítima fica incumbida de realizar o que lhe foi ordenado. O ato do bullying pode envolver insultos, depreciação, ataque aos bens pessoais, comentários que desvalorizam a condição social, orientação sexual, religião, aparência, etc.

O bullying não acontece somente com as crianças e adolescentes. Atualmente, nas empresas, existem muitos processos jurídicos envolvendo essa forma de violência, que podem ser denominadas como violação dos direitos civis, discriminação racial ou de gênero ou assédio moral. Muitas vezes, aceito pela organização empresarial, a intimidação regular que envolva relação de poder pode afetar o trabalhador de modo bastante prejudicial. Difamar, apelidar ironicamente ou de modo sarcástico por uma característica indesejada também pode acarretar em conseqüências importantes.

Alguns sintomas são comuns nas pessoas que sofrem esse tipo de agressão: depressão de causa externa (exógena), estresse, ansiedade, sintomas psicossomáticos ou doenças de fundo emocional e em casos mais graves suicídio. Nas escolas podemos observar com freqüência: fobias, evasão escolar, desrespeito, falta de interesse nos estudos.

Em alguns casos o bullying pode ser bastante preocupante, pois pode ser estar ligado a uma manifestação de sadismo, em que o sujeito sente prazer com o castigo e humilhação. Para outros, o bullying pode ser resultante de mecanismos de projeção, em que há uma relação imaginária com a vítima e determinados traços podem incomodar o agressor, que se sente levado a agredir. De modo manifesto, o bullying pode ser parecido, mas dependo da personalidade do sujeito esses comportamentos são indícios de algo muito grave.



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