O momento da escolha da profissão é mais um momento delicado na vida do adolescente. A escola termina e, rapidamente, ele deve entrar na faculdade. Muitas vezes, não há tempo para a dúvida. A sociedade convoca o adolescente a ter certeza daquilo que ele quer e quando a dúvida surge, a angústia aparece. Com as inúmeras ofertas de informação promovidas pelos diversos meios de comunicação, o acesso aos diversos cursos fica mais fácil. No entanto, a questão da escolha da profissão não se restringe unicamente ao acesso às informações. Freqüentemente escuto: “ah, vou fazer administração para ganhar dinheiro” ou “vou fazer medicina porque tem muitos médicos na minha família”.

Os adolescentes não são mais as crianças que necessitam constantemente da proteção e do cuidado dos pais. Do ponto de vista do social, são vistos como aqueles que já podem e devem responder por seus atos. Não sendo mais crianças, nem adultos, ficam num lugar complicado e gerador de muita angústia, situação que pode levar o adolescente a se isolar por não encontrar um interlocutor que reconheça seu momento de vida. Porém, é um engano pensar que os pais não são importantes neste período da vida dos adolescentes, quando muitas das questões que foram adquiridas e alimentadas ao longo da infância são revistas e elaboradas.

É muito freqüente escutarmos dos adolescentes a seguinte frase: “Ah, cai na real…”. Essa frase é muito elucidativa do momento de vida dos adolescentes: caindo na real, eles devem se posicionar com as mudanças relativas aos seus corpos, com a mudança na relação com seus pais e finalmente com a cobrança que a sociedade lhes impõe. É bastante coisa!

Nesse sentido, a presença dos pais pode ser muito valiosa neste momento. Os traços e habilidades mais marcantes já estão mais evidentes e os pais podem ajudar os filhos valorizando suas aptidões e refletindo acerca daquilo que esperavam deles, já que é bem freqüente fazer escolhas com o objetivo de agradar os pais. Os pais também se angustiam muito quando percebem que seus filhos ainda não decidiram o que fazer, ou se sentem frustrados pelo fato deles não realizarem aquilo que eles esperavam.

Se o adolescente consegue suportar bem a ambigüidade e as incertezas do futuro que lhe espera, pode fazer uma escolha mais tranqüila, sem precisar agradar os pais ou somente porque é exigido. Os pais e a própria escola podem ser aliados neste momento de duvida e incerteza garantindo um espaço de interlocução legítimo que valorize as habilidades e os desejos do adolescente.

Uma psicoterapia pode ser indicada quando houver muita dificuldade do adolescente e dos próprios pais em lidar com estas questões.


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