“O que há em mim é, sobretudo, cansaço,
Não disto, nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim, ele mesmo,
Cansaço”...

Álvaro de Campos

O cansaço tem atingido muitas pessoas, é um sintoma bastante relatado nos consultórios médicos e dos psicanalistas. A origem do cansaço depende de diversos aspectos relacionados a doenças, problemas hormonais, conflitos emocionais, hábitos de vida e de alimentação. Não é um problema isolado, ou seja, depende da somatória de diversos fatores sejam eles emocionais, da saúde e sociais.

O cansaço “preocupante”, do ponto de vista psíquico, é aquele que, na ausência de doenças, não passa mesmo após o repouso. O sujeito não se sente revigorado, é como se as atividades fossem vividas como mais outra exigência ou obrigação. O prazer e a realização passam despercebidos, pois é constante o desprazer, a fadiga, o desânimo e a sensação de falta de “força”. Tem-se a impressão de que o que há para ser feito é sempre demasiado e não se sabe ao certo o que tanto cansa.

Quando existe a dificuldade de alternância entre as preocupações e os momentos de descanso e de “relaxamento”, pode acontecer da pessoa ficar tomada por estas sensações, diminuindo a atividade e a iniciativa. Seu estado de “ânimo” pode ficar alterado, ela fica mal humorada, pessimista e sem “vontade”.

O cansaço quando persistente e intermitente pode levar a um quadro depressivo, caso não seja trabalhado, já que esta alteração no estado de ânimo pode permanecer e mudar a perspectiva sobre a vida. Pode haver o abandono de situações descontraídas como festas, lazer, encontro com os amigos, com o companheiro, com a família para buscar o descanso que não é alcançado, mesmo que se durma.

A maioria dos hábitos e o “estado de espírito” estão profundamente ligados à administração que cada um faz de seus desejos, interesses, afetos, ideais e a possibilidade de realizá-los minimamente . Quando esta negociação ocorre de modo que a resultante traga realização, de certo modo, vive-se à favor de um bem-estar.

É evidente que na vida há momentos de cansaço, de desânimo, mas a pessoa não deve se habituar a este estado como se ele fosse imutável. A permanência deste estado exige uma reavaliação dos limites com relação ao próprio corpo, à saúde e à tolerância de situações indesejadas. Refletir sobre os excessos cometidos é uma alternativa, assim como analisar os efeitos que essas escolhas estão exercendo sobre a vida pode ser uma forma de não ser vencido pelo cansaço.


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