Atualmente, grande parte dos casais adquire bastante intimidade antes de casar ou morar junto. É comum que tenham relações sexuais, que viagem, que freqüentem a casa da família do parceiro...
No entanto, apesar de estarem muito próximos, os namorados sentem a necessidade e o desejo de terem seu próprio canto, sua casa. Viver sob o mesmo teto aparece como uma forma de realizar este desejo e diante disso, pode surgir a questão: “O que é melhor, casar ou morar junto?”.
Em primeiro lugar, é preciso pensar a respeito dos valores do casal, se este valoriza uma cerimônia religiosa, casar no papel. Vale lembrar que nem sempre há um consenso entre os parceiros, pode acontecer de um ter valores mais “tradicionais” e o outro achar que a união pode ser feita de maneira mais informal. Nesta situação cabe o diálogo e a capacidade de ser flexível, de ceder.
A influência de ambas as famílias também pode ser forte. Determinadas famílias resistem à idéia de que seus membros não formalizem a relação juridicamente e até mesmo religiosamente. Sentem esta atitude como um desrespeito, interpretam como falta de compromisso, se preocupam com os direitos caso o relacionamento termine, acreditam que a união será mais frágil para enfrentar momentos de crise. Outras famílias, no entanto, não dão tanta importância às questões burocráticas e religiosas.
A tarefa de conseguir decidir segundo o próprio desejo nem sempre é fácil para o casal. Alguns se sentem pressionados pelos valores familiares e obrigados a “agradar” seus pais. Apesar de ser uma situação difícil, é importante que prevaleça o valor do casal.
A decisão de morar junto pode ser baseada em vários aspectos: dificuldade financeira, insegurança frente à relação, ausência de valores religiosos, liberdade de escolha. Porém, para outros casais, casar na Igreja, colocar o sobrenome da família do outro, são momentos muito sonhados e valorizados.
Em alguns casos, o argumento utilizado para morar junto se refere ao momento da separação, pois este seria mais fácil, já que questões burocráticas não estariam envolvidas. Nesses casos, cabe a reflexão: por que já pensar em separação? Este tipo de pensamento pode estar baseado numa visão racional e consciente, uma vez que toda união está sujeita a não dar certo. No entanto, a antecipação e até “previsão” da separação pode indicar conflitos importantes na relação.
Alguns casais chegam a afirmar que a escolha de morar junto surgiu como a “última esperança” para evitar um rompimento. É comum nessa situação que um dos parceiros “intime” o outro a assumir um compromisso mais sério como se dizer “sim” a esta proposta fosse uma prova de amor.
É verdade que questões burocráticas são atenuadas com o “morar junto”, mas as afetivas são tão intensas quanto “casar no papel”. Ambas as situações representam um momento de grande mudança na vida do casal.
A saída da casa dos pais (quando ainda se mora com eles) é difícil, alguns têm a fantasia de que estão abandonando sua família e de que seu afastamento de casa trará muito sofrimento. O medo de não dar conta das questões financeiras e da organização de uma casa também costumam ser corriqueiros e trazem muita angústia.
Nesta fase de transição de vida também estão presentes sentimentos prazerosos como se perceber independente, realizar o desejo de ter sua própria casa, de ser amado, de ter filhos...
Independentemente da forma em que será feita a união do casal, o importante é que haja respeito, compromisso na relação e ideais que possam ser compartilhados.
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