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Qua, 05/12/2007 - 15:03


Muitos pais ficam em dúvida se acostumam o bebê a usar chupetas e geralmente ouvem muitos conselhos diferentes: “Chupeta faz mal, estraga os dentes”; “Depois que acostuma é difícil de tirar”; “É bom pois acalma”. Outros não querem que o filho se apegue a nada e geralmente dizem orgulhosos que a criança não tem ou teve nenhuma mania, como paninhos, fraldas, travesseiros pequenos, cobertores ou bichinhos de pelúcia.

São tantas as opiniões, que é fácil ficar confuso. Sendo assim, por mais que a questão pareça simples, cabem alguns esclarecimentos.

Em primeiro lugar, não é mérito algum, a criança não se apegar a nada. Ao longo do desenvolvimento, adquirimos alguns hábitos em determinadas fases que são importantes para a nossa formação, que são abandonados quando passamos para a próxima fase e amadurecemos. A criança, que não se apegou a nada porque os pais não permitiram, queimou uma etapa importante em seu desenvolvimento, o que pode gerar alguma conseqüência mais tarde.

Observamos muitas mães dizerem que o filho usa o seio como chupeta, precisam estar no seio para conseguirem dormir, acordam várias vezes à noite, mesmo quando não são mais tão pequenos, pegam o seio para dormirem de novo e ao longo do dia, quando a mãe está presente, solicitam várias vezes para pequenas mamadas.

Isso mostra que o bebê utiliza o seio materno de forma parecida que usaria a chupeta, para se acalmar, para estar com a mãe, sugar, só que no caso da chupeta, o bebê utilizaria um objeto simbólico e não real, o seio. Então quando o bebê chupa a chupeta, esta representa o seio da mãe, o sugar que traz prazer e conforto. Ela simboliza a mãe, assim o bebê pode ter a mãe e se acalmar, sem precisar estar concretamente com ela. Esse processo é mais elaborado e um aspecto importante para a confiança do bebê na mãe e em si mesmo.

O bebê percebe o mundo que o rodeia pela boca, por isso gosta de levar os objetos a boca, que também é a parte do corpo que sente mais prazer. O bebê também se satisfaz de manipular o objeto, tem prazer de conseguir coordenar e controlar o seu uso. Como no caso da chupeta, os bebês logo aprendem a colocá-la para fora com a boca e depois voltar a sugar. Para o bebê, além da chupeta, o uso de um objeto macio também funciona como uma defesa contra a ansiedade.

Nesse sentido, é bom que o bebê se acostume com a chupeta, se este gostar, o que também é melhor que o hábito de chupar o dedo (alguns bebês já fazem isso desde o útero materno), pois este sim é mais difícil de desacostumar a criança, pois ela sempre tem acesso, por ser parte de seu corpo, considera que pode fazer o que quiser: “Deixa, o dedo é meu”, sendo mais difícil os pais intervirem quando chegar o hora.

Atualmente, existem algumas chupetas com formato anatômico que não prejudicam o crescimento dos dentes e o desenvolvimento das arcadas, sendo recomendadas inclusive por odontopediatras, desde que a criança não use por muito tempo. Com aproximadamente 3 anos quando a criança está se comunicando melhor, os pais podem iniciar o processo de tirar a chupeta. Nessa idade, inicia-se o período de trocas dos dentes e o crescimento das arcadas, que irão se ajustar em uma posição. Quando o uso das chupetas ou dos dedos persiste até uma idade mais avançada, interfere nesse processo, podendo gerar problemas como, por exemplo, a mordida aberta.

Outro cuidado que os pais podem ter é com a quantidade de tempo utilizada, a criança não precisa ficar o tempo todo com a chupeta na boca, pode tirar para brincar, comer e conversar.

A partir dessa idade, a criança vai adquirindo novas habilidades motoras e de linguagem, começa a ter mais autonomia e sentir mais prazer em fazer coisas sozinha, admirandi-se com seu próprio desenvolvimento. Conforme ela for se interessando por coisas relativas a cultura, esses objetos vão se tornando gradativamente menos importantes para ela.

No caso dos bebês que, passados os primeiros meses, continuam precisando mamar com muita freqüência e permanecer no seio da mãe ou crianças com dificuldades para abandonarem as chupetas, é importante a busca por um profissional especializado para ajudar nesse processo.


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