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Qua, 04/02/2009 - 06:56


O bebê nasce e logo ocupa um lugar de destaque, toda a atenção da família é voltada para ele, chora e é imediatamente cuidado... Assim, nos primeiros meses e até no primeiro ano de vida, a criança mal percebe que seus pais têm outros desejos e preocupações que não seja ela. No entanto, conforme cresce, passa a notar que nem sempre seus pedidos são atendidos prontamente, observa que seus pais se ausentam e que têm outros interesses (vão trabalhar, saem para passear, conversam com outras pessoas).

É natural que no início desta nova percepção de mundo a criança “proteste” contra a perda da atenção “total” que acreditava ter antes. Birras, choros freqüentes, fazer “travessuras” para chamar a atenção são naturais e uma forma de dizer da dificuldade que implica crescer.

Os pais devem acolher esta dificuldade e, ao mesmo tempo, incentivar o filho a se tornar cada vez mais independente e capaz de ficar sem a presença deles o tempo todo (lógico que isso conforme o que cada idade permite). É possível, por exemplo, ser carinhoso com a criança e também explicar a ela que precisa esperar porque a mãe está ocupada ou dizer que ela consegue fazer o que está pedindo sozinha...

Dentro deste cenário, uma das coisas que a criança nota que mais lhe “tira a atenção” é o afeto entre os pais, já que, muitas vezes, eles têm conversas de adultos que ela não pode participar, se abraçam, se beijam... Diante disso, alguns filhos tentam ficar no meio da relação dos pais, não os deixando ficar a sós: sentam no meio deles, choram quando eles estão juntos, chamam a atenção para si.

É importante que os pais não se deixem “vencer” pela insistência da criança, não cedendo sempre às diversas solicitações. É só assim que o filho irá entender que seus pais se gostam e que o fato de não ser o centro das atenções o tempo todo não significa que não seja amado. Apesar de ser um momento difícil em muitas famílias, saber lidar com isso é fundamental para todas as demais relações sociais e afetivas que a criança irá estabelecer.

O problema acontece quando os pais não agüentam o sofrimento da criança (porque dói mesmo saber de que não se é a única coisa importante na vida de alguém!) e acabam abrindo mão do momento de estarem juntos para ficarem com o filho, as conversas do casal e o contato físico acabam ficando cada vez mais raros, a exigência da criança por atenção aumenta, chegando até a ponto de não conseguir dormir sozinha.

Este quadro, muitas vezes, culmina num desgaste grande para todos os membros da família e afeta diretamente a relação do casal. Quando a mudança deste cenário é impossibilitada por dificuldades pessoais de um dos pais, ou do casal ou da própria criança, pode ser a hora de procurar um psicanalista.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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