Os ciúmes de irmãos são, freqüentemente, motivos de brigas entre as crianças. Os filhos costumam se questionar a respeito do amor de seus pais, buscando provas de que estes o amam incondicionalmente.
Por meio de comportamentos variados, as crianças procuram encontrar garantias de que são fundamentais para os pais. Podem chamar a atenção com atitudes desafiadoras, em que o adulto precisa colocar limites, dar broncas e, desta maneira, deixar claro que se preocupa com o filho. Uma outra forma, é a de tentar realizar tudo o que supõe ser o desejo dos pais, como tirar notas altas, obedecer, ser carinhoso.
A maioria das crianças oscila em graus variados entre as duas posições descritas acima, o que é extremamente natural. No entanto, quando um lado prevalece sempre em detrimento do outro, pode ser indício de que algo não vai bem. Assim, a criança que só sabe ser “rebelde e desafiadora” ou a que sempre se mostra passiva e conformada com os desejos do adulto, pode estar extremamente insegura do amor de seus pais, buscando com estes comportamentos “extremos” se certificar de sua importância para o outro.
O convívio com irmãos é uma experiência importante para a criança. Além de ter um par com quem pode trocar experiências, brincar, conversar, a criança aprende a compartilhar uma série de coisas: brinquedos, atenção e, inclusive, seus pais. Dessa maneira, a criança encontra em seu irmão tanto um companheiro como um rival e por isso, normalmente, aparecem sentimentos ambivalentes e contraditórios (“amor e ódio”).
Uma manifestação comum dos ciúmes de irmãos aparece quando um filho mais velho, frente ao nascimento de seu irmão mais novo, passa a apresentar uma série de comportamentos regredidos. Algumas crianças, por exemplo, pedem para usar novamente mamadeira, chupeta, voltam a urinar na cama, apresentam medo de dormir sozinhas. Nestes casos é importante que os pais não compactuem com este tipo de regressão, que não sintam “pena”, e por isso acabem permitindo que o filho se comporte como um bebê, abandonando conquistas que já havia adquirido com o crescimento. Os pais devem mostrar à criança que o amam mesmo não sendo mais um bebê e o fato de terem mais um filho não diminui o sentimento que têm por ela.
Não são apenas os filhos mais velhos que têm ciúmes de seus irmãos, os mais novos também possuem. É comum, por exemplo, as crianças mais novas se sentirem “discriminadas” ou “injustiçadas” porque seu irmão pode fazer coisas que ela não pode. É importante que os adultos possam tranqüiliza-la, dizendo que poderá fazer algumas coisas como seu irmão quando crescer e que este também não podia fazer quando era pequeno.
Os pais também devem refletir se não estão contribuindo para o ciúme da criança. Cada filho tem características pessoais diferentes e é natural que cada um seja tratado de modo diverso sem que isso queira dizer que um é mais amado que o outro. Assim, por exemplo, uma criança é mais dengosa e pede mais colo, a outra é mais agressiva e solicita mais limites.
O modo como os pais tratam seus filhos também é afetado por questões pessoais de cada adulto, um filho pode suscitar questões emocionais difíceis que a mãe, por exemplo, se atrapalha na forma de educar (como um filho que grita muito e faz lembrar à mãe de seu próprio pai, que ela temia e era severo).
Quando o ciúme é intenso por parte de uma das crianças, impedindo a relação social entre ela e seu irmão, recomenda-se a avaliação de um profissional.
*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

veja a localização