A educação de uma criança com deficiência precisa se basear no que é fundamental em toda educação: preparar alguém para conviver em sociedade.

A criança que possui algum tipo de deficiência (física ou psíquica) não tem que receber uma educação diversa das crianças chamadas “normais” (o que não exclui algumas particularidades conforme cada caso). Nesse sentido, sempre que possível, ela deve ser inserida numa escola regular, frequentando as atividades normais. Se existir dificuldade em acompanhar algumas matérias ou na adaptação, a criança pode realizar atividades complementares como aula de reforço, psicoterapia e psicopedagogia.

É importante que os pais possam reconhecer as dificuldades de seu filho, mas isto não significa concebê-lo como vitima, alguém incapaz de ser contrariado, de receber um “não”. Acontece de alguns familiares sentirem dó da criança e tentarem, por meio de mimos excessivos, compensar a deficiência.

Observamos que quando isto acontece, muitas vezes, tais crianças passam a apresentar sintomas psíquicos que não têm relação direta com a deficiência, tais como: intolerância à frustração, hiperatividade, dificuldade em aceitar limites.

Os pais não devem negar a dificuldade de ser diferente na nossa sociedade. Acolher e propiciar conversas em que a criança possa expressar os problemas de seu cotidiano, como dificuldades de interação com outras crianças e olhar crítico de outros, é fundamental. Vivenciar e falar da dor são o melhor jeito de superá-la.

A família não deve ter vergonha da criança, e sim aceitar suas diferenças. Dessa forma, levar o filho a lugares públicos, orgulhar-se dele, são atitudes importantes para a educação.

O diagnóstico médico é fundamental, mas não deve ser usado como uma marca que enquadra a criança num rótulo, em que prevalece a patologia em detrimento do sujeito. Dentro de um mesmo diagnóstico, encontramos crianças com características e potenciais muito diversos.

Os pais devem exigir de seu filho, acreditar que ele pode aprender e, ao mesmo tempo, saber respeitar suas dificuldades. Na clínica encontramos crianças que não foram estimuladas porque a família, após receber um diagnóstico médico, passou a subestimar as capacidades da criança. Em outro extremo, encontramos pais que negam qualquer limitação de seu filho e exigem dele mais do que pode dar. Estes são aspectos que merecem atenção, já que uma educação deficiente pode produzir uma “deficiência”.

Vale lembrar que somos todos diferentes, com facilidades e dificuldades. É preciso aceitar o que resistimos para aprender: sempre faltará algo que não conseguiremos alcançar, independente de se ter alguma deficiência ou não.


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