
É comum ouvirmos falar muitas coisas a respeito de filhos únicos e muitos criticam os pais que decidem ter um único filho. Dizem que serão pessoas egoístas, mimadas, com dificuldades no relacionamento pessoal por quererem tudo a sua maneira, sozinhas, rígidas e assim vai uma lista de características que são atribuídas. Algumas pessoas decidem ter um segundo filho apenas para fugir desses estereótipos e não como uma real opção por cuidar e educar uma nova criança e aumentar a família.
De fato, essas características são uma tendência quando se é criado sozinho com os pais e não marcas insolúveis, desde que os pais estejam atentos e tomem certos cuidados. Educar um filho único também dá trabalho quando os pais querem formar uma criança saudável.
Filhos únicos estão pouco acostumados a dividir espaços, atenções, emprestar e tomar emprestado as coisas. Afinal, possui dois adultos a sua disposição para darem atenção, carinho e nenhum irmão para pegar suas coisas e nem para também querer contar tudo o que aconteceu na escola!
Em qualquer família, toda criança gostaria que os pais fossem só dela e naturalmente se colocam no meio deles. Por sentir ciúmes, achar que pode perder a mãe para o pai ou vice-versa, a criança tem comportamentos de querer preservar os dois sob seu controle. Quando se tem um filho único, muitas vezes, os pais por não terem que manejar o ciúmes entre irmãos, deixam-se colocar nesse lugar de controle, se diluem como casal, permitindo que a criança fique ainda mais em posição de destaque.
Para amadurecer é muito importante que a criança perceba os pais como um casal, que ela tem seu lugar sem os afastar, conseguindo dividir sua atenção e seu amor. A criança também não se encontra na mesma posição de seus pais, são eles que exercem autoridade sobre ela, por isso o cuidado para que ela não se sinta como um adulto também. É comum quererem dormir com eles no mesmo horário, assistir os mesmos programas... Os pais não precisam estar o tempo todo à disposição da criança, devem manter seus interesses pessoais e seu círculo de amigos. Na convivência com os próprios pais, ela pode aprender a dividir suas coisas, esperar sua vez para obter atenção.
Esse costume de achar que tudo que o rodeia está a sua disposição interfere também no ambiente escolar. A criança muitas vezes transforma a escola em uma continuação da casa, querendo atenção exclusiva das professoras ou querendo que as regras sejam colocadas segundo suas vontades. Quando se têm irmãos, a socialização já começa no ambiente familiar.
Por isso, outro aspecto fundamental é a convivência com outras crianças, os pais devem facilitar a socialização, freqüentar casas de amigos, primos, chamar crianças em casa, ampliar as possibilidades de integração. Crianças estabelecem suas próprias regras e limites, com isso se aprende a ceder e também se fazer ouvir quando necessário.
Muitas coisas são permitidas e dadas à criança, “porque ele á único, mesmo” ou “se eu tenho condições, darei tudo que puder”. Atitudes assim não são construtivas para nenhuma criança, dão a impressão de que tudo na vida vem fácil e não requer esforço. O limite é importante para qualquer criança, transmite proteção e a fortalece para agüentar frustrações e saber lidar com elas.
Mas, nem tudo é tão fácil, não é só mimos e atenção, o filho único também carrega sozinho todos os sonhos, expectativas e frustrações de seus pais. A atenção geralmente voltada para eles acontece em todos os sentidos, tanto para agradar como para corrigir, há a cobrança de defeitos mínimos que passariam despercebidos se os pais tivessem outros filhos para cuidarem também. Muitos pais esperam que o filho seja perfeito, desenvolva todas as características almejadas por seus pais, já que se colocam a educar da melhor maneira, acabam exigindo demais. Tanta expectativa e exigência levam a criança a ficar ansiosa, insegura a respeito de si mesma e retraída.
A maneira de se educar uma criança, as expectativas e sonhos estão ligados a história de cada um dos pais, suas lembranças da infância e o relacionamento com os próprios pais. Como por exemplo, muitas vezes, faltas e privações sentidas nesse período levam a necessidade de suprir todos os desejos do filho.
Dessa forma, é possível sim, educar um filho único de maneira saudável, lembrando que hoje em dia, esta é uma opção para muitos pais. Caso os pais percebam alguma questão em relação aos seus papéis ou diante de alguma dificuldade da criança, vale a pena procurar um profissional.
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