É uma questão bastante comum, a busca de tratamento para amigos, namoradas, maridos, esposas e pais. Muitos mostram-se preocupados e dispostos a ajudar, algumas vezes expõem o problema, se interessam em saber como convencer a procurar terapia, querendo, às vezes, até mesmo marcar a consulta, na intenção que a pessoa se mobilize.

No entanto, o que percebemos nesses casos é justamente que o “querer”, a vontade pelo tratamento não está na pessoa em questão, que não percebe as razões ou não se sente motivado. A pessoa em si mostra-se pouco angustiada, é como se o fato de receber apoio e de perceber que outras pessoas a sua volta se preocupam, tirassem a questão de si. A preocupação então, sendo do outro, a isenta de procurar ajuda e tentar lidar com suas questões.

Uma das dificuldades de procurar tratamento é o fato da terapia psicológica ou análise ser vista socialmente com preconceito e atribuída a indivíduos com problemas mentais ou loucos. É importante passar uma atitude positiva, sem rótulos, para que a pessoa consiga encarar com naturalidade a possibilidade de tratamento.

Outra dificuldade é que buscar a análise faz com que a pessoa saia de uma posição queixosa para se deparar com suas questões e assumir uma posição de enfrentamento dos conflitos.
Se o outro se coloca em uma posição de ouvir, aconselhar e ajudar, sem que isso resolva a situação, a pessoa não se mobiliza para procurar uma real ajuda para suas questões e dificuldades.

O papel de quem se coloca para ajudar também é complicado, pois há o limite do desejo do outro. Geralmente quando nos sentimos muito incomodados com o problema de alguém é porque isso nos afeta ou nos mobiliza de alguma maneira.

Quando a relação é próxima, como no caso de um casal ou de pais e filhos, vale a pena investir em uma análise ou terapia para si mesmo, pois além de servir de exemplo, possibilita compreender a situação de outra forma, rever o seu modo de se colocar nessa relação, se posicionando diante do que causa tanto incômodo. Outra forma seria pensar em uma terapia de casal ou familiar.

Fazer uma análise, implica que se tenha uma postura ativa de buscar a origem das dificuldades emocionais, que impedem a realização e não é possível fazer isso sem empenho pessoal.


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