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Sex, 26/10/2007 - 08:58


A ansiedade é uma sensação que pode ser descrita como preocupação excessiva e desproporcional à situação enfrentada. Gera bastante mal-estar, sente-se a respiração acelerada, náuseas, tonturas, taquicardia, irritação, agitação, tensão que têm magnitudes diferentes em cada sujeito.

É difícil conseguir discriminar e descrever o que está sentindo, parece ser inominável, não há um pensamento claro que defina a sensação de desconforto no corpo. A pessoa tem crítica sobre a própria reação, dizendo “eu sei que é exagerado, mas não consigo controlar...”. Esse estado distorce momentaneamente a auto-percepção, ocorrendo a hipevalorização de algumas sensações, às vezes, a pessoa ansiosa se antecipa prevendo um desfecho desfavorável às situações que ainda nem aconteceram.

Em geral, se intensifica em momentos de vida em que a pessoa precisa solucionar alguma dificuldade importante. Seja numa mudança de trabalho, no casamento, diante de perdas de figuras importantes ou de referenciais. Porém, a ansiedade não está restrita a situações de crise, alguns se sentem ansiosos a maior parte do tempo, inclusive em ocasiões “favoráveis” como promoção no trabalho.

Como foi dito anteriormente, nem sempre a ansiedade surge diante de uma situação da realidade, pode ser decorrente de alguma fantasia de diferentes naturezas. A ansiedade resulta da invasão do corpo por um excesso de tensões originado dos próprios conflitos do indivíduo. Nessa condição, há a percepção de que há uma situação perigosa que encontra correspondência com as fantasias do indivíduo relacionadas à punição, castigo, perda de amor, abandono e, em alguns casos, as fantasias podem ser muito cruéis, como enlouquecimento, perda de controle ou ser morto por algum desejo inconsciente. Por exemplo, certa vez uma pessoa mencionou: “se eu não fizer o que minha mulher quer (comprar as coisas) ela vira a cara para mim e eu fico extremamente tenso”. O temor pela rejeição era uma fantasia que o fazia sofrer intensamente. Aqui cabe uma pergunta qual a função de continuar sofrendo?

Cabe à psicanálise, oferecer a possibilidade do sintoma se expressar e ser integrado como propriedade de cada um de nós, pois a resposta exacerbada ao que acontece sinaliza a dificuldade de elaboração das experiências da mente.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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