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Qua, 25/06/2008 - 10:14

A alimentação é um fator importante para o desenvolvimento das crianças. Esta precisa ser rica em nutrientes e em quantidade satisfatória para auxiliar no crescimento e dar a energia necessária para estimular o aprendizado e as brincadeiras, além de servir como um fator protetor diante de algumas doenças.

Por isso, as mães costumam prestar bastante atenção à alimentação de seus filhos e se preocupam quando estes não estão comendo, ficam ansiosas e muitas vezes, não sabem como agir.

Educadores e profissionais da saúde também se preocupam com a qualidade e variedade dos alimentos ingeridos pelas crianças. Muitas crianças, apesar de comerem “bem”, possuem uma alimentação pobre em nutrientes e rica em gorduras e açúcares, comem muitas “besteiras”, salgadinhos, doces, bolachas recheadas, mas recusam outros alimentos como frutas, verduras e legumes.

A partir desse quadro, percebemos um aumento no número de crianças obesas, anêmicas e muito ansiosas. Os pais geralmente permitem que as crianças comam esses tipos de alimentos já que ela recusa os outros como forma de diminuir a própria ansiedade, pensando que assim a criança está pelo menos se alimentando.

Mas como fazer quando a criança não quer comer? Vale chantagear? Distrair? Deve insistir ou até mesmo forçar?

A comida tem um significado social também, a hora da alimentação é um momento de relacionamento com as outras pessoas, serve para conversar, estar com os outros e até para celebrar.

É importante então que esses momentos de refeição aconteçam em conjunto com outras pessoas da família, em torno da mesa, assim que a criança já conseguir se alimentar sozinha, mesmo que esteja em um cadeirão. De preferência com a televisão desligada! Transformar o momento da refeição em algo gostoso, compartilhado é essencial e influencia a relação da criança com a comida. Não ter pressa para comer e nem para esperar os outros terminarem para sair da mesa, assim que tiver mais idade.

O modo como os pais fazem a refeição também servirá de exemplo para a criança, a variedade dos alimentos, o gosto por comer, o estado de humor (tenso, ansioso, alegre ou descontraído), o ambiente (formal ou informal).

Mesmo para o bebê que não se alimenta sozinho é importante que a pessoa que o auxilia, converse com ele, conte estórias, dê a refeição com calma e que não esteja com a atenção em outras coisas.

Os pais podem deixar as crianças explorarem o alimento, pegar, cheirar, sentir, deixar comer um pouco sozinhos desde bebês, mesmo que haja certa confusão. Assim que possível deixar a criança se servir e comer sozinha. Auxiliar em sua autonomia faz com que ela se interesse mais pela alimentação, se sinta mais ativa e importante e resista menos a comer. Quando há um acompanhamento da refeição que também propicia a autonomia, a criança se sente mais segura, o que diminui as manhas e a necessidade de chantagens.

As crianças percebem a angústia dos pais quando elas não estão comendo e às vezes, esta é uma forma de obter mais atenção e demonstrar sua insatisfação por outras coisas.

É preciso respeitar pequenas variações na quantidade e o estado da criança, se está ansiosa, agitada ou distraída com alguma coisa. A própria criança vai se adaptando e regulando seu apetite nos horários de refeição, come pouco no almoço, mas come mais no jantar, por exemplo. Nesse sentido, aceitar que a criança pode escolher o momento de parar de comer ao se sentir satisfeita, mesmo tendo comido pouco, que ela perceba sua fome e sua saciedade.

A alimentação faz parte do processo educativo da criança, requer ações conjuntas da família e da escola para a construção de hábitos saudáveis.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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