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Certo dia, tive a oportunidade de escutar um belo diálogo de um filho e seu pai. O garoto, de aproximadamente nove anos, revelava ao seu pai as mais recentes descobertas que havia feito com seu videogame. O pai escutava atento o relato de seu filho, perguntava detalhes sobre o jogo - era nítido como ambos se deliciavam com a conversa. E eu também.
Este encontro fugaz me fez pensar no excesso de questões que giram em torno deste aparelho. Especialistas referem que o vídeo game causa mal as crianças. Outros pesquisadores constatam que as crianças que ficam muito tempo no videogame e no computador desenvolvem o raciocínio lógico. É curioso notar que um aparelho cause tanta polêmica e controvérsia. É uma questão semelhante com a que ocorre com os desenhos e programas na televisão.
Não há duvida de que os pais devem estar atentos ao que os filhos assistem ou jogam. Porém, a questão gira mais em torno da relação que as crianças estabelecem com estes instrumentos. Uma criança que se abstém de outros vínculos em detrimento do videogame perde a oportunidade de se enriquecer com os contatos com outras crianças. No entanto, se os pais estão atentos aos filhos o jogo pode ser um momento prazeroso para a criança. Ouvimos dizer que antigamente as crianças podiam brincar na rua. Não havia restrição em circular livremente pelos espaços públicos. A rua era o lugar onde se realizavam trocas importantes. Hoje em dia isso não é mais possível. As crianças ficam em seus apartamentos, sem ter como se movimentar. É curioso pensar no surgimento deste diagnóstico tão freqüente da hiperatividade. Seria esse diagnóstico fruto de nossos tempos?? Também podemos pensar que é fato que as crianças de hoje em dia, desde muito novas aprendem a mexer nos aparelhos e nos computadores. Outro dia, uma criança de seis anos comentava com outra que necessitava fazer uma pesquisa. A colega aconselhou: Dá um google que você descobre!.
Se por um lado contamos com os filhos mais dentro de casa, o que oferece certo conforto aos pais, por outro os pais devem estar mais presentes, avaliando o tipo de relação que os filhos estabelecem com estes instrumentos, objetivando oferecer a possibilidade de que as crianças estabeleçam vínculos reais e afetivos com os próximos.
Se os pais estão atentos eles podem oferecer diversidade aos filhos e inclusive se beneficiar deste mundo que faz parte do cotidiano da criança.