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Abrimos os jornais e com os olhos arregalados nos debruçamos sobre as notícias: depressão econômica, demissões, recessão. Diz-se que o Brasil possui uma estabilidade nunca antes vista e que por este fator se encontra em condições de debelar a crise que se anuncia.
Não há como passar batido. Em maior ou menor grau somos tocados por esta questão. O nome do pânico que assola: desemprego.
Não resta dúvida de que o governo deve se posicionar e oferecer mais e mais condições de trabalho a nossa população. Não se trabalha apenas pelo dinheiro. Trabalhando conseguimos reconhecimento, sentimos prazer em nos envolver no ofício escolhido e conquistamos um lugar social. Trabalhar também traz sofrimento, pois existem inúmeras rivalizações entre os colegas e, muitas vezes, não se consegue estabelecer um diálogo com os próximos, tampouco com os chefes. Acostumados com este cotidiano difícil, fechamos os olhos para não pagar o preço de enfrentar as dificuldades.
Esse mesmo cotidiano empurra para um amortecimento no dia-a-dia do trabalho e assim se leva o trabalho sem uma verdadeira implicação. Com os olhos bem fechados e impregnados por uma desatenção, o serviço é feito de maneira burocrática e sem envolvimento.
Para além da questão mais específica desta crise, podemos pensar que nestes momentos somos convocados a fazer uma revisão da postura assumida no cotidiano de trabalho. Investir cotidianamente é tarefa árdua. Exige atenção e reflexão, obrigando-nos a olhar para as fragilidades e dificuldades; tarefa que não é simples de enfrentar.
Porém, num momento onde a incerteza se coloca como um horizonte próximo somos convocados a abrir os olhos sem, no entanto, cair no pânico que impossibilita o pensar.