A gravidez e o parto são momentos fundamentais na vida de uma mulher. Tornar-se mãe acarreta uma série de mudanças: alterações corporais, na rotina, nos papéis sociais, na relação do casal.

O nascimento de um filho é carregado de grande carga afetiva. Sentimentos ambivalentes estão presentes em todas as mulheres, embora em graus variados. Ser mãe envolve ganhos e perdas. Ganha-se um filho, uma família, carinho... mas diminui o tempo livre, o sono, os momentos a sós com o companheiro, perde-se a imagem idealizada da maternidade...

Nesse sentido, é natural que as mães sintam-se um pouco tristes logo após o parto. Essa tristeza não significa que não amam seus filhos. É uma reação apropriada diante das grandes mudanças que ser mãe implica.

Durante alguns dias ou semanas, a mulher pode ficar mais chorosa, insegura, introspectiva, com medos. O esperado é que este quadro não impeça a realização de tarefas e cuidado com o bebê e que dure pouco tempo, passando conforme a mãe sinta-se mais confiante e for apoiada pelos que estão à sua volta.

A depressão pós-parto é um quadro com sintomas mais severos e que não remite espontaneamente. Fatores biológicos (como alterações hormonais) e psicológicos atuam em conjunto no aparecimento deste estado. Entre os aspectos emocionais mais comuns estão a falta de suporte social e familiar, conflitos no casal, gravidez não desejada, eventos traumáticos durante a gestação, nascimento de um bebê com problemas, dificuldades da mãe com relação à maternidade (envolvendo muitas vezes, sua própria história de vida) e outras questões inconscientes.

Os sintomas mais freqüentes são: humor deprimido, pragmatismo prejudicado (dificuldade na realização de tarefas cotidianas como se cuidar, arrumar a casa), fatiga excessiva, culpa intensa (auto-recriminações), idéias suicidas, sentimento de incapacidade de cuidar do bebê, afastamento da criança.

Quando a depressão pós-parto é acompanhada de sintomas psicóticos, estamos diante do quadro de psicose puerperal. Neste estado há perda da realidade, pensamentos persecutórios, delírios e alucinações.

Diante da depressão pós-parto ou da psicose puerperal é necessário tratamento psicológico e, às vezes, medicamentoso. Nos casos mais severos recomenda-se a internação para preservar a vida da mãe e do bebê.

No período de crise é importante que outras pessoas assumam o cuidado do bebê, mas que não impeçam o contato mãe-criança, para que não ocorra maiores dificuldades na relação da dupla.

Cabe dizer que o fato de uma mulher apresentar este quadro não significa que será incapaz de cuidar adequadamente do filho ou que não o ame. Com um tratamento adequado, ela pode conseguir exercer seu papel de mãe e estabelecer um bom vínculo com o bebê.


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