“Meu filho não aprende. O que devo fazer?” – M. S. – 40 anos.
Na infância e adolescência é freqüente a presença de dificuldades escolares, que podem ser notadas em alterações de comportamento (agitação, passividade, inibição, falta de atenção) e no aproveitamento abaixo do esperado. A criança que não está interessada, pode estar angustiada, ansiosa ou preocupada com questões de sua vida ou de sua família. Muitos professores referem que seus alunos bagunçam ou ficam provocando os colegas para poder chamar a atenção para si. Essa atitude acaba comprometendo o aprendizado, pois ela não consegue prestar atenção no conteúdo que está sendo transmitido.
Os distúrbios de aprendizagem podem ser parciais, por exemplo, quando a criança não vai bem em uma matéria específica, ou globais, quando ela apresenta baixo desempenho em várias disciplinas, não conseguindo adquirir conhecimentos ligados ao dia-a-dia.
O aprendizado engloba diversas áreas tais como: memória, pensamento, compreensão, comunicação, concentração, orientação temporal e espacial, e depende, principalmente, de aspectos emocionais como autonomia, segurança, auto-estima, interesse, sociabilidade e estado de humor.
É importante observar o início do aparecimento dos problemas de aprendizagem. Uma dificuldade temporária faz parte de todo processo de aquisição de conhecimento, pois cada criança tem um ritmo que depende de sua assimilação. Assim, uma criança pode ter um baixo rendimento, sem que isso seja motivo de alarme, pois ela aprende outros assuntos e atividades. Em outra perspectiva, a que tem bom desempenho no aprendizado formal (aprendizado de conteúdo e de informações), por vezes, não consegue interagir com outras crianças, o que prejudica sua sociabilidade e o aprendizado de regras sociais, de brincadeiras, jogos.
Não se pode restringir aprendizagem a uma questão de inteligência ou de competência, pois aprender faz parte do processo de desenvolvimento. A aprendizagem está sujeita à relação estabelecida com o desejo de saber, com a posição diante do conhecimento – ativa ou passiva (do adolescente e da criança), não se tratando, portanto, de uma característica inata. A não ser nos casos em que há um comprometimento neurológico severo que interfira no aprendizado.
Desse modo, não se deve estigmatizar o aluno com dificuldades como quem não sabe nada ou como aquele que não tem inteligência, pois assim corre o risco de ficar à mercê do grande equívoco de que a inteligência está separada da intenção, do desejo e do estímulo.
Os pais não são culpados, mas são responsáveis junto ao filho pelo processo. Os pais podem auxiliá-lo, mas jamais devem pressioná-lo para ele atenda a suas expectativas de ser um bom aluno e de tirar "boas notas" o tempo todo. Podem colaborar ensinando-lhe e proporcionando-lhe condições para a organização do cotidiano, do ambiente de estudo, dos horários, dos materiais, etc. Por exemplo, os pais não devem permitir que o filho fique acordado até tarde fazendo as tarefas, pois no dia seguinte ele ficará sonolento. Deve-se lembrar que forçar o filho a aprender não lhe garante o aprendizado, pois ele também é responsável pela busca de conhecimento e ativo em suas dificuldades e desafios.
A escola é responsável em oferecer uma estrutura favorável ao aprendizado. Uma sala de aula com número excessivo de alunos prejudica, principalmente, aqueles que tem dificuldades, pois oferece um excesso de estímulos que dispersa os alunos. Além disso, a falta de motivação do educador pode ser um dos fatores mais sérios encontrados na escola, pois ele precisa estimular e favorecer o aprendizado dos estudantes e, ao mesmo tempo, ficar atento quando um aluno apresentar dificuldades.
Para a Psicanálise, a dificuldade de aprendizagem não é abordada como um sintoma destacado de um contexto, envolve também, além do sujeito, a família e a escola. É importante que os pais procurem ajuda de um profissional sempre que a dificuldade de aprendizagem parecer relevante e estiver afetando a vida da criança ou adolescente.
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