Freqüentemente escuto pais de adolescentes temerosos com a possibilidade de seus filhos usarem drogas. Outras vezes, os adolescentes contam aos seus pais que utilizaram drogas, fato que os deixa aflitos, alarmados, assustados. E certamente há muitos motivos para isso: a oferta de drogas é incessante na nossa atualidade e independe de classe social. As drogas não estão só na periferia, como se pensava anteriormente. Elas estão em qualquer lugar.

Muitos estudos revelam que a dependência de drogas geralmente tem início na adolescência, período descrito como vulnerável pela literatura científica. A dependência é caracterizada pela perda de controle sobre o uso da substância, que se manifesta pelo consumo persistente e compulsivo mesmo quando há problemas significativos que impedem o uso. Por exemplo, um fumante que está com bronquite e ainda assim não deixa de fumar seu cigarro.

A grande maioria dos adolescentes diz que a primeira experiência com as drogas se dá por curiosidade. Querem experimentar como é a sensação. E esta sensação é muitas vezes traduzida pelos adolescentes com gírias: foi bem louco, maneiro, animal, uma viagem.

Experimentar novas sensações é uma constante na adolescência. O corpo em transformação, a fragilidade em que se encontra devido a queda de seus ideais infantis, a separação necessária com a família, ou seja, o abalo geral de sua identidade trazem muitas sensações que, muitas vezes, não conseguem ser expressas pelas palavras. A linguagem nem sempre dá conta de exprimir as vivências, por isso os adolescentes usam tanto as gírias.

Além de tudo isso, os adolescentes devem cavar um espaço social e sexual. Podemos pensar que a passagem adolescente é realmente uma grande viagem turbulenta por tudo aquilo que foi adquirido na infância.

Neste abalo identitário, os adolescentes vão buscando se encontrar nos diversos espaços sociais pelos quais circulam. E assim fazem suas primeiras experiências com as drogas cercados de outros adolescentes. Uma grande parte dos adolescentes para por aí. Há outros que seguem neste perigoso caminho.

E os pais?

Muitos pais acreditam realmente nos intensos questionamentos que os adolescentes fazem. Os pais escutam tais questionamentos como uma afronta e, muitas vezes, se retiram dizendo: Ah, você com este tamanhão, vá procurar sua turma. Ofendidos com os filhos não conseguem escutar que é um questionamento necessário e não uma briga real. Os adolescentes, ao contrário do que parece, precisam muito de seus pais. Eles necessitam encontrar um espaço de segurança para onde possam voltar da busca de seu lugar no mundo, de sua “viagem”.

Os pais, atentos aos seus filhos podem promover verdadeiros espaços de troca e questionamento sem que se sintam feridos e ofendidos. Ajudar os filhos a diferenciar as diversas experiências que os adolescentes atravessam pode ser uma grande oportunidade de transmissão de uma experiência rica entre pais e filhos. Quando há muitos obstáculos nesta relação se faz necessária a procura de um profissional para clarear os caminhos.


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