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Comumente designamos as pessoas indecisas como aquelas que sempre estão em cima do muro, ou seja, não estão nem de um lado nem de outro. A indecisão não é uma patologia em si e, geralmente, este comportamento pode estar associado à vários tipos de patologia. A indecisão pode também ser um traço de personalidade, sem que este comportamento acarrete muitos prejuízos. Ainda assim, os indecisos sofrem, já que este atributo geralmente é associado à pessoas frágeis, incapazes de se posicionar.
Alargando um pouco a questão, com o objetivo explicito de que este assunto não se restrinja apenas às derivações patológicas, notaremos que a indecisão pode ser reveladora de um certo traço comum aos indivíduos de nossa atualidade.
Se procurarmos no dicionário, encontraremos as seguintes definições para o termo indecisão: estado ou qualidade de pessoa indecisa, irresolução, hesitação e perplexidade. É evidente que os termos irresolução e hesitação se referem á um estado de ausência de capacidade de resolver alguma situação. Em tempos onde o rendimento profissional é medido por posições agressivas de conquistas de metas e bônus, ao indeciso resta a resignação.
Já o termo perplexidade se refere a um estado de interrupção do tempo, de uma certa indignação que pode se dar tanto numa situação de excesso como de escassez. Por exemplo: quando assistimos um jogo de futebol e há goleada, um excesso de gols, ficamos perplexos. Quando nos deparamos com uma situação de profunda escassez como a cena de um Estado árido, o sertão do Piauí em época de ausência de chuva também ficamos perplexos.
Certo dia, numa grande loja de brinquedo de criança pude observar a seguinte cena: uma criança perplexa diante de tanta oferta. Sua mãe a chamava para ir embora, mas ela estava perplexa. Não conseguia decidir qual brinquedo comprar. É nesse sentido que a indecisão e a perplexidade é fruto de algo que nos convoca a pensar e que diz respeito á uma oferta excessiva de nossa atualidade. A perplexidade também pode revelar um certo fascínio, como se fosse possível obter todos os objetos que estão disponíveis. Se é possível obter todos os objetos, como escolher um? E como arcar com o que se escolhe, já que na medida em que escolhemos sempre perdemos algo.
De alguma maneira paradoxal, o indeciso nos fala claramente, sem titubear, sem ficar em cima do muro, de um excesso de nossa atualidade.