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As dificuldades apresentadas pelas crianças fazem parte do caminho da aprendizagem. Entretanto, nota-se uma alta vigilância por parte dos pais e da escola que buscam cada vez mais profissionais que classifiquem estas dificuldades como patologias, para que se sintam assegurados de que a causa é uma doença. A resultante disso é o aumento das disfunções neste campo. O prefixo dis reafirma a teoria funcional, faz referência àquele que não “funciona” de acordo com o estabelecido por uma norma. As dificuldades então chamadas de doenças entram no conjunto de definições: dislexia, disfasia, disgrafia e assim por diante.
Definindo-as como patologias, o significado do aprendizado vem impregnado de um conceito valorativo. A falha e o déficit passam a ter valor explicativo cujas causas podem ser dirigidas para o neurológico, psicológico, orgânico. É uma forma de responder a demanda crescente por um especialista que ofereça a promessa de alcançar o ideal de criança que se vê incumbida de se tornar um pequeno executivo, capaz de lidar, sem passar pelo processo, com as exigências de um mundo que supervaloriza as informações prontas.
Quando a escola encaminha percebe-se que, de modo implícito, há o pedido de diagnóstico, classificação e, também de tratamento. Essa dinâmica circunscreve o processo de aprendizagem como um problema a ser tratado a todo custo, nem que seja pelo atropelamento do processo de construção do pensamento, raciocínio lógico e abstrato.
Tudo isso não acontece sem maiores conseqüências. Os resultados numéricos e a rotulação promovem a circulação de dados que coloca a criança na rede do discurso “diagnóstico”. A criança avaliada é vista como objeto da privação de competências.
A lógica da disfunção coloca a aprendizagem como se o desenvolvimento ocorresse independente do meio e das relações que ocorrem entre a criança, a família e a escola.
Se estas dificuldades se tornam doenças, é preciso dominá-las e saber agir.
É diante desta urgência e pressa que o profissional se vê convocado a responder, mas o psicanalista não poderá operar jamais fora do tempo do sujeito, sem que haja como prejuízo o próprio sujeito.