localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
localização - metrô Santa Cruz
palavraescuta@palavraescuta.com.br
atendemos de 2a à 6a das 7 às 20:30h
"Gostaria de saber o que é estresse, todo mundo diz que está estressado, isso é possível? "
No cotidiano, escutamos nossos amigos, parentes e colegas de trabalho dizerem: “a vida está muito estressante”, é fácil concordar com essa frase tão proferida, mesmo sem saber em detalhes o que é estresse para cada um. Sua natureza pode ser nomeada pelos profissionais de diversas formas: psicológica, social ou física. Mas o público em geral, também atribui várias significações: cansaço, nervosismo, irritação. Ao psicanalista, essa separação de nomes não é o mais importante, pois o que é estresse e o que é estressante para cada um varia de indivíduo para indivíduo.
O estresse foi um termo utilizado pelo canadense Hans Selye, em 1936, ao observar em suas pesquisas o padrão de funcionamento a nível bioquímico e comportamental nos animais submetidos a situações desagradáveis. Ele descreveu os sintomas do estresse, atribuindo o nome de Síndrome Geral de Adaptação, composto de três fases sucessivas: alarme, resistência e esgotamento. Após essas fases, constatou o surgimento de enfermidades que poderiam se tornar crônicas como: úlcera, hipertensão arterial, artrites e problemas cardíacos, depressão, ansiedades. Resumindo, para a medicina, estresse é um conjunto de reações do organismo, quando exageradas em intensidade ou magnitude podem levar ao aparecimento de sintomas.
Para a Psicanálise, o estresse pode ser considerado como nova forma de sintoma, ligado ao efeito das exigências contemporâneas nos sujeitos.
O que causa o estresse nos humanos?
Uma das maiores causas encontradas, por exemplo, entre os assalariados está na falta de condições de trabalho: carga horária excessiva, dupla jornada, ausência de férias e descanso. Essa exigência capitalista de alta produção tem seus custos, o ideal de trabalhador “incansável”, é caro ao trabalhador, custa-lhe o prazer e a saúde.
Esse novo sintoma social, que não comporta o desejo do trabalhador, nem seus direitos, está a favor de quem? Do capital? De quem?
A Medicina, ao tratar dos sintomas, prontificando o trabalhador ao retorno imediato ao trabalho, corre o risco de industrializá-lo, pois o induz a voltar à ativa o mais rápido possível, sem questioná-lo sobre o que o levou a essa condição.
Mesmo diante do conhecimento geral sobre os estressores, o impacto não é generalizável, pois depende do valor que cada um atribui aos acontecimentos e as experiências.
Além disso, é considerável a duração e o acúmulo de situações estressantes. Outro dia, enquanto estava no trânsito, observava o carro ao meu lado.
O motorista calmamente cantarolava em seu carro, numa aparente tranqüilidade. Na outra fileira, fui repentinamente invadida pelos sons de uma buzina incessante, que se juntava com os gritos de outro motorista. Imediatamente, perguntei-me como o primeiro motorista poderia estar tão tranqüilo diante de uma situação, freqüentemente, tão estressora? Cabe a ele responder.
*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.