Socialmente existe a idéia de família associada ao lar com pai, mãe e filhos, mas nem sempre foi assim. A família como organização tem passado por inúmeras modificações ao longo da história. Sua constituição depende da cultura de seus membros, da sociedade e de seu tempo. Ela é composta por pessoas que possuem algum grau de parentesco, unidas por laços de matrimônio e ancestralidade.

O surgimento da família nuclear tem relação com a industrialização e a urbanização, pois estes movimentos provocaram intensas mudanças na força de trabalho, na moradia, na economia e nas relações sociais. Conseqüentemente, o lugar da mulher e do homem e suas funções também se transformaram.

Do campo muitas famílias partiram em direção à cidade, o que provocou a diminuição da convivência com a comunidade de origem. A família era responsável pelo processo de produção, pai, mãe e filhos trabalhavam juntos e cada um, a sua maneira, contribuía com as tarefas e com a obtenção de bens necessários à sobrevivência. Com o desenvolvimento das grandes cidades e com as exigências econômicas, as mulheres passaram a trabalhar em indústrias e ser responsáveis pelo orçamento familiar. A mão-de-obra passou a ser especializada e, desse modo, os modos de produção se fragmentaram em habilidades específicas. A jornada de trabalho passou a ser extensa e a resultante deste trabalho passou a ser o capital. Nesta época, mulheres e crianças eram preferidos nas indústrias, pois eram mais passivos e submissos às demandas dos “patrões”.

A carga excessiva de trabalho e suas condições insalubres favoreceu o aparecimento de crises importantes que culminaram em reivindicações políticas que nos influenciam até os dias atuais. No caso das mulheres, especialmente na década de 60, houve um movimento em que elas exigiam os mesmos direitos dos homens.

Outro advento histórico importante à mulher foi a difusão dos métodos anticoncepcionais, fato que marcou, em muito, sua emancipação, que passou a ter a possibilidade de escolha em ter filhos.

Desse modo, as famílias, compostas por muitos filhos, tornaram-se reduzidas. Com a intensificação do divórcio, antes moralmente inaceitável, muitos casais romperam seus relacionamentos e, assim, as famílias também encontraram outro fator que contribuiu para a diminuição de membros.

A tão sonhada família de casal e filhos deixa de ser a única possibilidade de realização, que passa a ser possível em outros contextos que não poderíamos sequer imaginar. Desse modo, atualmente, muitas famílias são compostas de mães e pais solteiros, pais divorciados, casais sem filhos, avôs e netos e assim por diante.

Esta herança provocou transformações sociais, por um lado, a diminuição do controle social trouxe uma maior liberdade de escolha por um casamento, por um divórcio, pelo número de filhos, abrindo um continente de oportunidades anteriormente inconcebíveis. Não é preciso estar casado “até que a morte os separe”. É possível não ter filhos ou ter poucos.

Em outra perspectiva, diante da ampliação do conceito de família, encontramos alguns efeitos, por exemplo, muitos filhos de pais separados passaram a ter pouco contato com o pai, referência masculina importante. Muitas mulheres passaram a sustentar a família, o que lhes exigiu muito esforço. Neste acréscimo de função, o contato das mães e de seus filhos se restringiram.

Para as mulheres ou homens que têm o apoio de seus próprios pais, a possibilidade em lidar com as diversidades é bem maior. Já para as famílias pequenas uma grande problemática se colocou: como cuidar dos filhos sendo o único adulto responsável no dia-a-dia? Sem dúvida, trata-se de uma grande responsabilidade.

Outra questão é a família de casais sem filhos. Atualmente, escuta-se um grande contingente de pessoas que opta por não ter filhos. Seja pela questão econômica, pela desidealização da maternidade e paternidade, pela infertilidade, pela ausência de desejo de um dos cônjuges, entre outros. A realização do sonho em constituir uma família para os casais sem filhos e para as famílias pequenas, pode percorrer outros caminhos. O desejo, por sua propriedade, produz um movimento, cuja satisfação não depende somente de uma condição. Assim, viver em família, pode ter muitos significados conforme o que cada um espera dela.


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