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Na sociedade atual notamos o intenso questionamento dos valores e da moral em questão nas relações sociais. Nunca o homem obteve tanto acesso as informações colocando-o a par de realidades jamais imaginadas expondo a possibilidade do homem de conquistar e extrapolar seus limites – “self made man” . O homem narcísico tornou-se um modelo a ser seguido e seu poder uma qualidade almejada.
Nesse contexto, os laços estão sendo permeados pelo incentivo da agressividade, a bondade passou a ser confundida com inocência e a solidariedade está sendo, cada vez mais, substituída pela competitividade – “ter ou ser mais que o outro”.
As crianças percebem o que está a sua volta, o filho “autoritário” é um assunto bastante freqüente no discurso dos pais, ora como queixa, ora como motivo de orgulho. Certa vez, o pai de uma criança mencionou: “meu filho apanha na escola das crianças mais espertas, se ele não souber se defender, batendo, será tratado como bobo... O irmão dele não é assim, é esperto, ele não deixa os outros se aproveitarem dele, faz o que ele quer. Quando quer alguma coisa ele sabe se impor”.
Ser “bobo” parecia se referir à criança que não tem o ímpeto de agredir, e “esperto” é aquele que tira vantagem – autoritário?
Essa colocação nos possibilita a reflexão sobre o lugar do “ser bobo”. A queixa do pai se dirigia a criança que buscava conversar para resolver suas dificuldades e seu irmão, por outro lado, agredia os demais para impor suas vontades, mas era uma figura qualificada neste discurso.
A questão trazida neste caso pode ser bastante reveladora, o filho “autoritário” pode assumir o estatuto de valor ou de queixa, mas sem dúvida sinaliza o crescente conflito para as crianças e seus pais diante das convocações e provocações do meio social, afinal o que ser: “bobo ou esperto”?