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"Meu filho é estranho. Devo me preocupar?" (Mãe de um menino de 12 anos).
Quando devemos procurar ajuda ao filho? "Tenho um menino de 12 anos e estou preocupada. Desde os três anos percebia que, ao invés de falar, ele se descontrolava e gritava sem parar. Às vezes, falava com ele, mas não me ouvia, continuava gritando. Hoje ele está maior, não tem amigos, só quer ficar em casa assistindo televisão. Seu quarto fica sempre fechado, não abre nem a janela e fica horas na frente do computador. Tenho receio de contrariá-lo".
A pergunta a respeito de quando buscar ajuda é algo muito frequente na clínica. Nota-se que muitos sinais já estão presentes há muito tempo quando se decide buscar alguma . Como psicanalista posso afirmar que os sinais exagerados de descontrole, agressividade, rejeição, sensibilidade, carência, insegurança, isolamento, tristeza, podem ser trabalhados desde cedo. O pedido de atendimento surge na maioria das vezes por meio de encaminhamentos realizados por escolas e outros profissionais de saúde, porém isso não é necessário. Diante da percepção de que algo não vai bem, mesmo que seja algo repentino e não instalado, os pais podem buscar ajuda.
O excesso de sofrimento, a repetição de comportamentos, sentimentos muito persistentes como tristeza, raiva, podem revelar conflitos. É importante lembrar que o sofrimento nem sempre está ligado a um “trauma”, ou seja, nem sempre houve algum acontecimento violento, agressivo. Pode ser que os conflitos estejam relacionados a pensamentos, fantasias e desejos inconscientes para a pessoa. Mesmo sentimentos de poder, euforia, agitação e ânimo exacerbados revelam questões psiquicas.
No exemplo acima, a dificuldade e a preocupação existem há alguns anos, esta mãe percebia que a intensidade do que o filho vivia era algo que já chamava sua atenção.
Algumas questões precisam ser feitas diante do "estranhamento": o que leva a criança a se comportar assim? Qual a função disso? Qual a consequência?
A espera em procurar ajuda, adia a possibilidade de se trabalhar o que leva a pessoa a sofrer. Desse modo, diante de dificuldades na compreensão do que acontece é preciso que se legitime o sofrimento e um profissional seja procurado.