A gagueira é uma disfunção da fala que pode afetar todas as idades, desde as crianças menores até os idosos. No entanto, se manifesta com mais freqüência na primeira infância.
O aspecto principal desta disfunção é o fato da pessoa, ao tentar dizer uma palavra, ficar presa em alguma sílaba, sem conseguir continuar com o que quer dizer. Ela é involuntária, não sendo controlada pela pessoa. Por mais que o indivíduo se esforce, ele não consegue evitar ficar gago. Ela não é um hábito adquirido.
A gagueira é multifatorial, ou seja, pode ser causada por vários fatores, tais como: lesões neurológicas, hereditariedade, questões emocionais. Geralmente seu início é súbito e está associado a situações emocionais intensas, que podem ser traumáticas e conflituosas. Quando é uma reação temporária ao estresse ela tende a sumir quando o elemento estressor desaparece.
A gagueira traz grande sofrimento, já que a pessoa não consegue se expressar como gostaria, sente-se envergonhada e fracassada. Uma das dificuldades mais importantes é o estigma social, pois os indivíduos que sofrem de gagueira, freqüentemente, são motivo de chacota, são vistos como desequilibrados, ansiosos e medrosos.
As crianças gagas apresentam dificuldades para fazer amigos e têm seu desempenho escolar afetado, já que a realização de algumas tarefas propostas torna-se muito complicado. É o caso das atividades que exigem ler em voz alta, falar na frente da classe.
Cabe lembrar que episódios de gagueira na infância podem ser normais e até mesmo comuns. Na idade de dois a três anos o aparelho fonoarticulatório ainda não está maduro e a criança ainda não domina muitos vocabulários. Após esta idade, os pais devem ficar mais atentos, principalmente, se a criança demonstra sofrimento com este sintoma. É importante que os pais não interrompam ou falem pelo filho, dando tempo para ele se expressar.
Em função do estigma social, algumas pessoas gagas passam a evitar contato social para se protegerem. Em alguns casos, esta evitação chega ao extremo de um isolamento, afetando a vida social, escolar, profissional e afetiva.
Algumas pessoas aprendem a disfarçar o sintoma utilizando interjeições (como ‘né’, ‘assim’ e ‘eh’), substituindo as palavras por sinônimos, mudando o tom da voz, alterando a respiração (respirar mais fundo antes de falar para dar tempo para pensar).
É interessante observar que a gagueira costuma diminuir e até mesmo a desaparecer quando não se trata de uma fala espontânea. Assim, muitas vezes, ao cantar, ao ler em coro ou de forma silabada, ao imitar um sotaque, a pessoa não fica gaga. Uma das explicações possíveis para explicar isso é de que as falas espontâneas estão mais suscetíveis à influência de aspectos emocionais do que as falas controladas. Quando o gago está sozinho, dificilmente gagueja o que aponta para a importância da relação com o outro.
As questões emocionais relacionadas à gagueira, muitas vezes, são desconhecidas para a pessoa, pois são inconscientes. A gagueira, quando de origem psicogênica, pode ser um modo da pessoa expressar esses sentimentos. Ela também pode estar relacionada com uma baixa auto-estima, sentimento de inferioridade, timidez e outras características da personalidade.
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