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"Há sexualidade na terceira idade?"

Qui, 24/05/2007 - 22:54


Recentemente fui interpelada por um encontro inusitado, despretensioso, mas que causou inúmeras questões. Num encontro informal, uma senhora de aproximadamente sessenta e cinco anos relatava seu aparente incomodo após ter sido chamada por um motorista de táxi de linda mulher. A senhora dizia de uma certa indignação por ele a ter chamado de mulher, e quando lanço a ela num tom jocoso a pergunta: Senhora e Mulher são opostos? Ela se autoriza a me confessar que havia gostado muito do galanteio do taxista.

Este breve e prazeroso encontro coloca em evidência o cerne das discussões psicanalíticas e de muitos desenvolvimentos teóricos no interior do campo psicanalítico: a sexualidade.

Se a psicanálise subverte o discurso ao trazer a sexualidade para o campo da infância, o que dizer da sexualidade na velhice?

Dito de outra forma: para a psicanálise há sexualidade aonde há humano e a sexualidade nos interpela em todos os momentos da vida. Quem nunca se sentiu constrangido ao ver um casal se beijando na rua? Na novela? Na clínica com a adolescência é muito freqüente encontrar os pais muito assustados quando os filhos começam a namorar. Surgem verdadeiras crises.

Um estranhamento semelhante ocorre quando um casal de mais idade troca carícias. Como se fosse vetado a eles essa possibilidade: desejar e ser desejado como homem e mulher.

O próprio termo velhice alude a uma deterioração, degradação. Os discursos sociais sobre a velhice falam sobre qualidade de vida, prolongamento da vida, mas raramente falam sobre a sexualidade. Estes discursos, originados pelo discurso médico achatam a singularidade e generalizam a condição singular de quem vive este momento. Com isso não quero dizer que a velhice não faz marcas no psiquismo, mas que a sexualidade existe e produz enigma em todos que vivem, independentemente da idade.

Nesse sentido, é possível pensar que pessoas com a idade avançada podem namorar, sair, paquerar ou até mesmo casar.

Só depois é que me dei conta, que naquele dia havia me encontrado com uma mulher, às voltas com o enigma de sua sexualidade.


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