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Qui, 22/01/2009 - 13:51


Tenho a imaginação muito fértil. Às vezes me perco e acabo acreditando no que estou falando. Isso é sério?

O imaginário é parte do mundo mental de todos. A própria história de vida que cada um conta é fruto das recordações daquilo que se considera como fato.

As lembranças são únicas, mesmo quando há algum evento que foi compartilhado por muitas pessoas, o que cada um se recorda tem nuances muito particulares. È comum, em conversas sobre estas recordações, que as pessoas digam que a afirmação do outro não é verdadeira. Quem nunca vivenciou situações familiares em que um irmão diz ao outro que a mãe não é como ele está dizendo, que ela é calma, boa, doce ... Enquanto isso o outro comenta, a mãe é nervosa, chata, exigente...

É importante lembrar que não existe uma oposição entre razão e imaginação. Para a Psicanálise, esses mecanismos da mente não estão separados, se comunicam, sendo um influenciado pelo outro. Por exemplo, o que se recorda, a memória, percorre um caminho trilhado por momentos de importância afetiva. Pode-se dizer que a mente sempre se dirige a aspectos que, de alguma forma, trouxeram sentimentos intensos, sejam eles de excitação, alegria, surpresa, tristeza, sendo mediada também por sentimentos angustiantes e conflituosos.

Desse modo, o que se imagina sofre as influências desses processos. Algumas pessoas imaginam o que gostariam de ser ou o que gostariam que acontecesse. Para outros, a imaginação pode ficar repleta de figuras fantásticas ou extraordinárias.

Quando a crítica fica comprometida e a pessoa imagina tanto que fica difícil manter uma conversa compartilhada, ela deve se preocupar e procurar ajuda. Principalmente, quando a distorção dos acontecimentos é tão evidente a ponto de gerar discussões sobre episódios não ocorridos.

Pode-se encontrar também situações em que a imaginação é tão maciça que provoca constantes frustrações: ao se idealizar demais alguma coisa, a realidade fica insuportável, na medida em que não é possível realizar a perfeição imaginada. Isso é muito freqüente, por exemplo, em pessoas que esperam um relacionamento amoroso “perfeito” e, diante de um conflito, logo se frustram e pensam numa separação.

Assim, esse sintoma – imaginação exagerada – precisa ser analisado, pois sem dúvida revela conteúdos do psiquismo importantes ao sujeito.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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