"Inclusão escolar: uma prática possível?"


A inclusão escolar tem sido um tema bastante atual. Crianças que antes eram excluídas da escola regular e colocadas em instituições para deficientes, agora têm o direito, garantido por lei, à educação e de freqüentar a mesma escola das crianças tidas como “normais”.

Assim, crianças que apresentam diferentes déficits, sejam eles temporários ou crônicos, graves ou leves, devem ser inseridos no ensino regular.

A efetivação da inclusão exige a superação de vários desafios: estabelecimento de novas formas pedagógicas, capacitação dos professores para saber lidar com diferentes problemáticas, os alunos e famílias devem aprender a aceitar as diferenças e a própria criança deficiente precisa participar ativamente de seu processo de inclusão.

A escola deve ser capaz de atender seus alunos em suas especificidades e singularidades e isso é válido para todos, não só para os que possuem algum déficit. Todas as pessoas apresentam diferentes características, se sobressaem em algumas áreas e apresentam dificuldade em outras, e isso precisa ser respeitado e levado em conta na hora da aprendizagem e do convívio social.

A maioria das escolas, no entanto, está longe de viabilizar a inclusão. Na prática, o que tem acontecido são escolas que recebem alunos com deficiência, mas que os segregam dentro do próprio ambiente escolar, criando, por exemplo, salas especiais. Muitas alegam que esta prática acontece devido ao despreparo dos professores ou porque não acreditam no benefício que tais crianças podem ter ao freqüentar o ensino regular, afirmando que jamais vão conseguir aprender, por exemplo.

O processo de inclusão deve ser feito com bastante cautela, respeitando as dificuldades e o tempo de cada criança. Não basta a escola, os alunos e os professores estarem preparados para receber uma criança com deficiência, é preciso também que a própria criança esteja pronta para este novo espaço social.

Cada caso deve ser tratado em sua singularidade e um trabalho de preparo anterior feito com a criança e sua família é fundamental. Assim, uma criança que nunca esteve na escola, que não teve contato com outras crianças, que teve seu convívio social restrito ao ambiente familiar, precisa de todo um trabalho para poder ser inserida na escola regular. Se isto for feito de forma abrupta, sem um preparativo, a inclusão tem grande risco de ficar fadada ao fracasso.

A inclusão não se limita a colocar a criança dentro da escola, é preciso que ela consiga interagir, de acordo com suas potencialidades, com outras crianças. Uma criança surda que fica isolada na escola, por exemplo, não está inserida: a exclusão fica reeditada no próprio ambiente escolar.

Os pais também precisam ser escutados. Pais que estão temerosos com a inserção de seu filho na escola, provavelmente, passarão para ele seus receios, o que dificultará a adaptação da criança.

Cabe pontuar que, muitas vezes, a exclusão não acontece apenas aos deficientes, ela pode aparecer sobre os alunos mais pobres, os de raças diferentes, os repetentes, os obesos, os portadores de doenças como o HIV, os tímidos, os de religiões diferentes... Nestes casos, estas crianças não são colocadas em salas especiais, mas, freqüentemente, ficam isoladas na sala de aula, não conseguem fazer amizades.

O papel da família dos alunos também é fundamental. Se um trabalho é feito na escola, mas a criança encontra nos pais grande preconceito, tende a repetir este comportamento, já que os vê como modelos. Por exemplo, pais que não querem que seu filho brinque com uma criança que tem HIV com medo que ela se contamine, influenciarão a forma como seu filho se relacionará com seu colega.

É importante ressaltar que inclusão não significa tratar a todos como iguais, anulando as diferenças. A diversidade é um elemento extremamente enriquecedor para a aprendizagem. Os alunos devem, portanto, perceber, identificar e saber lidar com as diferenças.

A tentativa de normatizar uma criança pode ser tão ou mais violenta que a exclusão. Assim, uma criança com paralisia precisa saber de suas limitações, mas isto não significa que seja incapaz de realizar muitas atividades e de estabelecer amizades.

Não devemos esquecer: a educação é direito de todos!


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