A inveja é negada pela maioria das pessoas. Admitir que se tem inveja causa constrangimento, vergonha e embaraço.
É comum a associação da inveja com a maldade. O indivíduo identificado como “invejoso” é julgado como sendo alguém que não suporta que os outros tenham coisas boas e que por isso, quer destruí-las. Assim, coloca as pessoas sempre como potenciais rivais, competindo o tempo todo. Quando o outro consegue algo que ele não tem, sente-se inferior e ameaçado e não se tranqüiliza até conseguir o mesmo ou ver a pessoa perder o que conquistou.
Qualquer coisa pode despertar inveja, desde a aquisição de bens materiais, como um carro novo, a questões afetivas (um bom casamento, o nascimento de uma criança).
Mas será mesmo verdade que apenas pessoas más sentem inveja?
A verdade é que todo mundo já sentiu, em algum momento, inveja de alguém, por mais difícil que seja admitir. É natural, ao se deparar com os ganhos de uma pessoa, se sentir em falta, triste e até mesmo ter inveja. Todas as pessoas, em algum grau, têm um ideal que visa ficar o mais próximo possível da perfeição, realizar desejos e aspirações.
Apesar de se saber que esta perfeição é impossível de ser realizada, ao perceber que o outro tem coisas que não se possui, tem-se uma sensação de falta que, muitas vezes, é angustiante. Nestas situações surgem diversos pensamentos, tais como: “Por que ele conseguiu comprar um apartamento e eu não consigo?”, “O mundo é injusto, as pessoas com dinheiro só podem ser desonestas”, “Por que não tenho um namorado legal como o dela?”
Não há problema nenhum em sentir inveja desde que se possa refletir a respeito disso, analisando o porquê deste sentimento ter surgido em determinada situação e não atuar a raiva que acompanha este sentimento.
É possível fazer um uso construtivo da inveja, embora nem sempre seja fácil. Ao sentir inveja de alguém, pode-se tentar descobrir, em primeiro lugar, se realmente se deseja aquilo que é invejado. Muitas vezes, inveja-se algo não porque de fato se deseja, mas porque o social impõe como sendo importante.
Após este questionamento, se a pessoa chegar à conclusão que de fato quer conquistar a mesma coisa que o outro, deve se perguntar como pode ter o que deseja. Por exemplo, alguém que quer receber uma promoção no trabalho como seu colega, pode analisar como tem se posicionado no emprego, se tem lutado para que isso aconteça (como fazer cursos, mostrar o trabalho).
A inveja surge, muitas vezes, de uma crença de que não se tem porque o outro tem. É como se só uma pessoa pudesse ter algo e por isso, rivaliza-se. No entanto, isto nem sempre é verdade. É possível ter coisas assim como o outro, sem precisar destruir o que é dele. Poder aceitar que não se é completo e que sempre faltará algo é também fundamental.
Sentir inveja faz parte das relações humanas, mas se aparece com muita freqüência, vale a pena procurar um analista. Por trás do sentimento de inveja pode existir grande sofrimento, uma sensação constante de insatisfação, inferioridade e incompletude. Uma análise ajuda a investigar o porquê deste sentimento, permite a pessoa aceitar suas falhas e a entender o que faz para não ter o que deseja.
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