“Luto: a intensa dor da perda”

O processo de luto é uma reação à perda de algo que afetivamente era importante, seja a morte de um ente querido, o rompimento de uma relação amorosa ou amizade, a perda de emprego...

O luto costuma apresentar uma série de fases e entre as mais comuns podemos citar: choque, negação, raiva, depressão e aceitação.

Sentir-se triste, desanimado, vivenciar a sensação de ter perdido uma parte de si próprio, são sentimentos naturais e esperados diante da perda. Inicialmente, a pessoa revive constantemente as lembranças do objeto perdido, chora com freqüência e, às vezes, é acometida por sentimentos como raiva, desamparo, solidão e angústia. A falta de interesse pelo mundo exterior, vontade de ficar retraído, sentir-se culpado pela perda também são freqüentes.

Além desses sentimentos, uma série de sintomas físicos pode estar presente, tais como: aperto no peito, falta de ar, insônia, fadiga, perda de apetite, dor no estômago, ficar doente.

Apesar de ser um processo muito difícil, a dor não deve ser negada: é só vivendo a dor que a pessoa pode superar o luto. Dessa forma, ao contrário do que muita gente pensa, falar sobre a perda é fundamental. Assim, uma mãe que conversa com seu filho sobre a morte do pai, que olha as fotos, que chora com ele, o ajuda a se recuperar da grande perda. Os rituais de nossa sociedade, como o velório, também são importantes, pois permitem à pessoa se despedir daquele que morreu.

A duração do processo de luto varia de acordo com as características pessoais de cada um, do laço de afetividade com a pessoa perdida e da forma como aconteceu a perda. Em geral, o luto é um processo de longo prazo (cerca de dois anos). As mortes traumáticas e inesperadas costumam demorar mais tempo para serem elaboradas.

Após este período, é esperado que a dor mais intensa diminua e que a pessoa consiga retomar suas atividades. No entanto, em alguns momentos, mesmo quando se está melhor, existem momentos de recaída, principalmente, quando se está diante de fatos que remetem diretamente à perda (como Natal, aniversário, cena de filmes).

O luto pode levar a uma série de crises, em que a pessoa pode rever sua maneira de viver e o tipo de relações que estabelece. Além de uma crise pessoal, também é comum uma crise familiar, uma vez que a perda de um membro convoca a família a se reorganizar numa nova dinâmica, nem sempre fácil de se estabelecer.

Em alguns casos, o processo de luto ocorre de forma patológica, sendo necessária a ajuda de um profissional.

O luto patológico acontece em duas situações. Na primeira a pessoa nem entra em processo de luto, age como se nada tivesse acontecido, não se permitindo sentir nenhuma dor. O problema é que o sofrimento fica reprimido e um dia pode se romper de forma intensa e abrupta.

Já o segundo tipo de patologia ocorre quando não se consegue sair do luto. A pessoa não é capaz de se recuperar da perda, não se desfaz dos objetos que lembram o morto, não consegue retomar suas atividades diárias.


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