Não sei o que faço, estou muito aflita... Sinto que nunca estou feliz, as coisas não são como eu gostaria. A.B., 41 anos.
“Tudo precisa estar perfeito”. “Sou perfeccionista”. “As coisas precisam ser do meu jeito”. “As coisas não podem sair do lugar”. “Nada pode sair errado”... E por aí seguem as exigências das pessoas que dizem ter mania de perfeição.
Controlar é o cerne de uma problemática em que a falha, o incompleto, ou seja, as faltas precisam estar recobertas, portanto, não podem aparecer. Esse ato repetitivo de algumas pessoas exprime um paradoxo. Por exemplo, a pessoa que se diz com esta mania pode arrumar a casa e, anterior a execução, fica intensamente angustiada, ao terminar sente-se aliviada. Desse modo, o mesmo sintoma produz tensão e alívio, o que expressa um conflito e o ato representa uma resolução parcial às tensões geradas por ele.
Nesse sintoma – mania de perfeição – deve-se ponderar as limitações que a pessoa pode apresentar. Há quem fique o dia todo limpando a casa, revisando os trabalhos, checando as coisas, para que fatos inesperados não apareçam.
O que pode estar oculto a isso? Que perfeição é essa?
A insatisfação desproporcional é um traço bastante forte. Nunca o que fez está bom, bonito, certo, há muita exigência. Esse estado pode provocar muita ansiedade que se manifesta como irritação, fadiga, frustração.
Esse sintoma pode trazer, além disso, inúmeros problemas nos vínculos, em relação à própria imagem, como em relação aos demais. Há pessoas que demoram em sair de casa, pois a situação não está como gostaria. Checam a roupa, o cabelo, a casa, olham os cômodos. Este funcionamento interfere também no trabalho, na escola. Os compromissos não são cumpridos, as tarefas não são finalizadas, nem entregues, pois não estão perfeitas. O companheiro (a) não é como gostaria, então, aquele que tem mania se põe a criticar, pois não faz as coisas como “deveria”.
O grau de idealização é um fator marcante, as pessoas com este sintoma, por vezes, acreditam que é possível alcançar um estado de completude e de perfeição. Desse modo, esta dinâmica proporciona muita angústia, podendo aprisionar a vida da pessoa, que não consegue evitar o movimento de busca deste estado.
O cuidado que se deve ter reside na ênfase dada às limitações, o que traz sentimentos depreciativos e intenso sofrimento. Pode estar presente também uma atitude autoritária e invasiva, exigindo de si e do outro algo inatingível, mas que é visto como possibilidade.
*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

veja a localização