"Meu filho de três anos não fala. Com que idade uma criança deve falar?"


São inúmeras as causas que podem levar uma criança a ter dificuldade em falar. Com relação ao aspecto “orgânico” encontramos as afasias, surdez, distúrbios articulatórios. Dentre as dificuldades relacionadas ao funcionamento mental situamos os distúrbios da fala, escrita, problemas na aquisição de linguagem.

O desenvolvimento da linguagem e da fala, embora relacionados, não são a mesma coisa. A linguagem é a capacidade da pessoa se comunicar e transmitir suas idéias e pensamentos. Já a fala é a expressão da comunicação, é um instrumento de comunicação.

Nas ciências que falam do desenvolvimento da linguagem, existem etapas de aquisição, consideram que a criança passa por um processo de maturação neurológica que serve de base para que desenvolva suas habilidades lingüísticas:

• 0 a 3 – interesse pela voz da mãe, se dirige a sua voz;
• 4 a 5 meses – balbucios, repetição de sons;
• 6 a10 – intensificação dos sons, que vão se diferenciando;
• 10 a 14 meses – primeiras palavras do bebê (mamã, papa), aponta o que quer;
• 18 meses: a fala torna-se expressiva possui cerca de dez a vinte palavras concretas (dá, água –aua, “qué”, nana, não, etc);
• 2 anos – poderá estar usando de cem a duzentas palavras;
• 2 anos e meio – o vocabulário aumenta muito, sendo capaz de formar frases simples;
• 3 anos – aumento da compreensão daquilo que ouve dos adultos, intensificação da utilização de palavras para se expressar e conseguir o que deseja ;
• 4 anos – demonstra capacidade de pronunciar adequadamente palavras de sua língua.

Essas etapas encontram correspondência com o momento que a criança está vivendo com relação a sua intencionalidade. Por exemplo, a criança que diz "mama", "papa", o faz, pois percebe que essas estão ligadas à mamãe e o papai. Quando diz estas palavras, quer chamá-los, se recorda deles, quer ficar próxima, etc.

Na fase que a criança consegue manifestar seus pedidos, podemos inferir que é capaz de perceber seus desejos e vontades e expressá-los em palavras, ou seja, consegue objetivar e representar suas intenções.

Quando isso não ocorre, na ausência de problemas no aparelho fonoarticulatório, a criança que não fala, não está conseguindo se expressar simbolicamente e representar na fala seus sentimentos, pensamentos e desejos.

Antes de falar, é necessário que a criança perceba a si mesma, os outros a sua volta. É necessário que as pessoas falem com ela, que a escutem, não fiquem corrigindo e que não falem por ela diante de alguma dificuldade, para não inibi-la em excesso.

Para a Psicanálise, o bebê desde o nascimento está imerso num mundo de linguagem, as pessoas a sua volta falam com ele, falam dele e interpretam seus comportamentos e choros como pedidos (esse choro quer dizer que está com fome, com sono, sujo, etc.). O mesmo acontece com as crianças maiores, aquela que não se expressa pela fala, acaba sendo interpretada pelas pessoas. Às vezes, o que as pessoas acham, nem sempre é o que a criança quer ou precisa. Desse modo, é motivo de preocupação quando ela não utiliza a fala como recurso para expressar suas vontades, pensamentos e anseios.


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