A entrada da criança na escola é um momento de mudanças intensas para ela, que podem ser enfrentadas de diferentes maneiras. No entanto, há um ponto em comum, a entrada na escola traz novas exigências: ambiente novo, novas pessoas, estímulos e relações diferentes.
Essas exigências levam algum tempo para serem assimiladas, enquanto isso, a criança utiliza seus mecanismos de defesa para lidar com seus medos, fantasias e conflitos. Algumas se adaptam rapidamente, outras crianças mais inseguras, podem se angustiar com a separação da mãe. As mais medrosas podem querer evitar os novos contatos e há também aquelas que podem adoecer, somatizando suas dificuldades. Como isso acontece?
É bem conhecido, por diversas teorias, as respostas do corpo diante de exigências novas, que pode funcionar de modo diferente. A criança fica mais alerta, tensa e, até que consiga se adaptar, um período de conflitos pode estar presente.
Não podemos negar também que, em diversos sentidos, a casa é mais protegida. A criança que entra na escola pode se sentir mais exposta às pessoas e as relações que poderá estabelecer com elas ainda é algo estranho.
Os pais costumam ficar preocupados com o filho e alguns se sentem culpados em ver o filho doente. No entanto, se essa reação for passageira, os mesmos não devem se preocupar. A criança para aprender a lidar com situações novas precisa enfrentá-las. Quando isso é persistente, vale uma maior atenção. Diante disso, os pais devem procurar saber o que está acontecendo com o filho, o por que dele estar adoecendo. Lembrando que quando se adoece, não há uma separação entre o corpo e a subjetividade. O corpo está expressando aquilo que não encontra outra via de expressão.
As crianças podem se expressar sintomaticamente, podem ter problemas de sono, perdem o apetite, se agitam, ficam angustiadas com a separação, "grudam" nos pais, não querem ficar sozinhas ou adoecem. Que tipo de ajuda é necessária?
Qualquer tratamento requer a presença dos pais, que são coadjuvantes do processo. No caso de um trabalho psicanalítico, cria-se um espaço de escuta da criança e de seus pais, buscando analisar as razões individuais da manifestação do sintoma de adoecer, qual o conflito subjacente e as fantasias que estão envolvidas.
Por exemplo, há crianças que não querem ir à escola, pois percebem a tristeza da mãe em se separar. Outras que ficam com ciúmes do irmão que está em casa com a mãe. Criança que os pais trabalham pode expressar desejos em ficar mais próximos deles, pois estes ficam muito ausentes para ela. Ou seja, o que é importante para a criança será expresso de algum modo, portanto, merece ser considerado para que o adoecer não seja o único modo dela se manifestar.
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