A aquisição da fala marca um momento crucial no desenvolvimento infantil. É a entrada da criança na forma de comunicação compartilhada por todos e traz uma grande abertura para o crescimento do seu mundo mental, simbólico e social.

Um grande caminho já foi percorrido anteriormente para que esta aquisição ocorra, pois geralmente muito antes de falar a criança já tem uma compreensão de tudo que lhe é dito e já se comunica utilizando outros recursos (como os gestos, o olhar, o choro, por exemplo). De um ponto de vista mais amplo, a criança já está inserida na linguagem desde o seu nascimento. Por isso as mães falam com os seus bebês, explicam o que estão fazendo neles ou por eles, nomeiam os seus sentimentos e isso é de muita importância para o desenvolvimento posterior da fala. Frequentemente as mães sentem que seus bebês podem compreender perfeitamente o que está sendo dito por elas.

Causa muita angústia aos pais quando a criança apresenta um atraso no âmbito da fala. Em geral, espera-se que por volta dos 2 anos de idade a criança já esteja falando frases básicas, chamando as pessoas de seu convívio, pedindo o que quer e nomeando objetos e situações de forma compreensível.

Porém, como tudo que se refere ao desenvolvimento infantil, as diferenças individuais devem ser consideradas, ainda mais neste campo tão complexo como o da linguagem verbal, e o que é considerado “esperado para a idade” deve ser considerado apenas como referência, onde podem ocorrer variações.

Erros e trocas de letras/sons são normais, mas não devem ser estimulados pelos cuidadores (por exemplo, a fala infantilizada), desta forma a criança tende a corrigi-los naturalmente.

O atraso de linguagem deve receber mais atenção se vem acompanhado de outras manifestações como: dificuldade da criança em olhar para os outros, principalmente se estão falando com ela; apego excessivo a um dos pais; muita dificuldade com as mudanças de rotina dela própria ou de membros da família, ainda que pequenas (horários, seqüência dos cuidados, louças utilizadas); repetições de gestos ou movimentos corporais, geralmente diferentes (sem função aparente); dificuldades no brincar (desinteresse, eleição de objetos diferentes como brinquedos, por exemplo); retraimento no contato social, especialmente com outras crianças.

Se esses sinais por si sós estiverem presentes mesmo antes desta idade, um auxilio profissional é indicado. Na dúvida, deve-se buscar a avaliação de um especialista pois nestes casos, quanto mais cedo a intervenção ocorrer, melhores são as possibilidades de recuperação das crianças.

Alguns distúrbios da fala estão relacionados a problemas orgânicos (perda auditiva, alguma limitação neurológica) e uma avaliação fonoaudiológica pode ser indicada.

Se as dificuldades são mais simples, algumas modificações na conduta dos cuidadores pode favorecer o desenvolvimento da criança, como por exemplo: não “falar” por ela; não “adivinhar” o que ela está pedindo, dando tempo para que ela diga e perceba que seus pensamentos não podem ser “escutados”, só a sua voz; estimular a criança a pedir verbalmente e não só por meio de gestos ou pela condução mecânica de um adulto; falar com a criança como alguém que compreende o que está sendo dito a ela.

Alguns distúrbios de linguagem não devem ser acompanhados somente por fonoaudiólogos, pelo contrário, exigem principalmente um atendimento psicológico, na medida em que estejam relacionados a dificuldades na formação da criança como pessoa/indivíduo, que vai se diferenciando dos pais para poder crescer e ficar cada vez mais independente.


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