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Sáb, 31/03/2007 - 11:18


A dificuldade em ir para a escola pode referir-se a várias coisas, pode ser um medo natural, um sintoma transitório e até mesmo um sinal de que algo mais sério está acontecendo com a criança.

É natural que crianças novas, principalmente em seus primeiros dias na escola, fiquem inseguras para entrar no colégio. Na verdade, este medo pode representar um movimento saudável, indicando que a criança já constituiu uma identidade de si, sabendo diferenciar-se do outro. É esperado que as crianças pequenas estranhem as pessoas que não conhecem e sintam-se inseguras ao se afastarem do ambiente familiar pelas primeiras vezes. É justamente por este motivo que, atualmente, muitas escolas oferecem um momento de adaptação, onde a criança vai para a escola junto com sua mãe (ou responsável) e a separação ocorre gradualmente com o passar dos dias.

Cabe salientar, que a ida da criança para a escola, muitas vezes, também é difícil para a mãe que, naturalmente, tem receios de deixar seu filho longe de seus cuidados. Neste sentido, é importante estar atento ao fato de que o medo da criança pode ser porta voz das inseguranças da própria mãe. Por este motivo, seria importante que ela trabalhe seus receios, conversando com seu companheiro, com profissionais da escola e outras pessoas de seu círculo social. Caso continue muito insegura, a ajuda de um profissional pode ser útil, já que sua insegurança pode representar uma série de outros conflitos e problemáticas de sua história pessoal que são deslocadas para a dificuldade da criança.

No entanto, se o medo aparece depois da criança já ter apresentado uma adaptação na escola e se já freqüenta o colégio há mais tempo, o medo é um sinal de que algo não vai bem. Pode tratar-se de um sintoma transitório, em função de algum conflito vivido no ambiente escolar (por exemplo, briga com um amigo) ou em casa, e que é deslocado para a escola. É fundamental conversar com a criança para saber o que está acontecendo e se for preciso, com os responsáveis da escola. Caso seja localizado algum problema na dinâmica familiar (como conflitos do casal, depressão de um dos pais) é importante avaliar se as dificuldades são transitórias ou se são situações mais crônicas, que se repetem com frequencia e que, por isso, também apontam para a necessidade da ajuda de um profissional para outros membros da família.

É importante observar também, se a criança, além da dificuldade em ir ao colégio, não está apresentando outros sintomas, como medos variados, dificuldade em ficar só (dormir sozinha, por exemplo), problemas com a alimentação, enurese, dedo na boca, alterações da linguagem, entre outros.

Se a criança, mesmo após um período de adaptação, não consegue ir à escola, é necessário procurar a ajuda de um profissional, que pode investigar se algo mais sério está acontecendo e que justifique a necessidade de um tratamento.


*É proibida a reprodução do texto publicado nesta página, no todo ou em parte, sem autorização escrita da autora, sujeito às penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

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