Foto de Danielle Sandrini

Este tipo de queixa não é incomum nos pronto-atendimentos infantis. Embora sejam muito raras patologias orgânicas que justifiquem esta queixa em crianças, um bom exame clínico deve ser realizado no sentido de se descartar a possibilidade de doenças que possam resultar em quadros respiratórios ou cardíacos.

Ao mesmo tempo em que se avalia clinicamente, vamos perguntando aos pais se há alguma mudança na vida da criança ou se aconteceu algo que para ela possa ter sido importante.

Invariavelmente a resposta é negativa a princípio, mas à medida que os exames se apresentam normais, surgem fatos que passaram desapercebidos pelos adultos mas que provavelmente estão sendo motivo de angústia para a criança....
Por exemplo, mudança de casa e de escola há pouco tempo; a criança passa a ficar só durante muitas horas enquanto a mãe trabalha; situação de roubo na casa; ameaça de violência para a família (mesmo não concretizada). Ou outras aparentemente mais sutis como mudança temporária de professora... enfim sempre haverá uma situação que para a criança pode estar resultando em sofrimento psíquico .

Na maioria das vezes o que acontece é que os adultos já elaboraram os fatos ocorridos e estão preocupados em agilizar as tarefas do dia-a-dia e não percebem o quanto pode ser difícil para uma criança fazer o mesmo.

É importante salientar que nem sempre as situações são facilmente identificáveis pelos adultos, pois podem tratar-se de questões mais subjetivas do que uma mudança do ambiente, como é o caso de um sentimento de baixa auto-estima ou da dificuldade em externalizar um afeto.

A dor no peito é apenas um exemplo de somatizações. Na clínica encontramos outros tipos, dentre os quais: desmaios, tremores, tonturas, dores de cabeça, vômitos, dores de barriga.

A dor física como manifestação de angústia é tão importante quanto a manifestação de uma doença orgânica e deve também ser motivo de atenção dos pais para procurar ajuda especializada no caso de ter sido diagnosticada. É importante não banalizá-la, não é porque nos exames clínicos que uma patologia orgânica não é encontrada, que podemos dizer que a criança está bem, que não tem nada e o que ela apresenta pode ser “frescura” ou “birra”.


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